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O Advento: tempo de conversão

O Advento é a preparação/espera para celebrar o Natal. Nosso Salvador Se fez um pequeno menino para nos redimir, para manifestar a doçura da presença de “Deus conosco” (Mt 1,23). Ao mesmo tempo, é preparação/espera para a segunda vinda de Nosso Senhor.

Advento é tempo de penitência

O Ano Litúrgico gira em torno de duas grandes celebrações: Natal e Páscoa. Mas, para que estes dois grandes acontecimentos sejam celebrados de uma maneira digna, genuinamente cristã, existe um período de preparação: a quaresma para a Páscoa e o advento para o Natal. O advento, por incrível que pareça, é um tempo penitencial (a cor da estola é roxa). É claro que é menos penitencial do que a quaresma, mas é penitencial.

O que seria essa preparação para o Natal? Pense o seguinte: como o Natal deveria ser vivido e celebrado? Com que espírito eu deveria acordar e viver no dia 25 de dezembro? Natal lembra a vitória da luz: por causa de Cristo a nossa vida pode ser uma vida iluminada e iluminadora. Então, se o Natal lembra a luz (veja como aumenta a iluminação nas nossas cidades), a melhor preparação para o mesmo exige um retirar de dentro de nós tudo o que não é luz.

Advento é tempo de arrumar a casa interior, arrumar a nossa vida em família, reorientar nossos projetos, readquirir confiança em Deus, na vida, nas pessoas e em si mesmo. Por isso, o advento inclui uma necessidade de intensificação da vida cristã: novena de natal, perdão dos pecados, mais oração e leitura bíblica, mais fraternidade e solidariedade.

As Celebrações do Advento

Advento deve ser celebrado com sobriedade e com discreta alegria. Não se canta o Glória, para que na festa do Natal, nos unamos aos anjos e entoemos este hino como algo novo, dando glória a Deus pela salvação que realiza no meio de nós. Pelo mesmo motivo, o diretório litúrgico da CNBB orienta que flores e instrumentos sejam usados com moderação, para que não seja antecipada a plena alegria do Natal de Jesus. 

As vestes litúrgicas (casula, estola, etc.) são de cor roxa, bem como o pano que recobre o ambão, como sinal de conversão em preparação para a festa do Natal, com exceção do terceiro domingo do Advento, Domingo da Alegria ou Domingo Gaudete, cuja cor tradicionalmente usada é a rósea, em substituição ao roxo, para revelar a alegria da vinda do Libertador, que está bem próxima e se refere à segunda leitura que diz: “Alegrai-vos sempre no Senhor. Repito, alegrai-vos, pois o Senhor está perto”. (Fl 4, 4). 

Vários símbolos do Advento nos ajudam a mergulhar no mistério da encarnação e a vivenciar melhor este tempo:

1. A coroa pode ser pendurada no presbitério, colocada no canto do altar ou em qualquer outro lugar visível.
2. A luz nascente indica a proximidade do Natal, quando Cristo, Salvador e Luz do mundo, brilhará para toda a humanidade, e representa também nossa fé e nossa alegria pelo Deus que vem.
3. O círculo, sem começo e sem fim, simboliza a eternidade; os ramos sempre verdes são sinais de esperança e da vida nova que Cristo trará e que não passa.
4. A fita vermelha que enfeita a coroa representa o amor de Deus que nos envolve e a manifestação do nosso amor, que espera ansioso o nascimento do Filho de Deus.
5. A cor roxa das velas nos convida a purificar nossos corações em preparação para acolher o Cristo que vem.
6. A vela de cor rosa nos chama à alegria, pois o Senhor está próximo.
7. Os detalhes dourados prefiguram a glória do Reino que virá.

Nas duas primeiras semanas do Advento, a liturgia expressa o aspecto escatológico do Advento, colocando nos corações a alegre expectativa pela segunda vinda de Cristo. Nas semanas seguintes, a Igreja nos prepara diretamente para a celebração do Natal do Senhor. 

O ato de acender as velas pode ser colocado no início da celebração eucarística, no início da liturgia da palavra ou em qualquer outro momento, desde que se harmonize com a celebração. Em qualquer caso, deve ser um momento que celebra o caminho de espera do Senhor. O acender das velas deve ser acompanhado de uma oração própria e de um canto, o mesmo para os quatro domingos.

No primeiro domingo deste tempo litúrgico, acende-se a primeira vela, que simboliza o perdão a Adão e a Eva.

No segundo domingo, a segunda vela acesa representa a  dos patriarcas. Eles creram no dom da terra prometida.

terceira vela simboliza a alegria do rei David, que celebrou a aliança e sua continuidade.

última vela, acesa no último domingo, ou seja, que antecede o Natal, representa o ensinamento dos profetas que anunciaram um reino de paz e justiça.

Fontes: https://pss.org.br/2013/12/06/advento-e-tempo-de-penitencia/

https://www.a12.com/redacaoa12/liturgia/a-celebracao-do-advento

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A necessidade da boa Confissão

Que é a confissão? Ela é um sacramento?

O Catecismo da Igreja nos ensina, no capítulo que trata dos “Sacramentos de Cura”, que:

1422. «Aqueles que se aproximam do sacramento da Penitência obtêm da misericórdia de Deus o perdão da ofensa a Ele feita e, ao mesmo tempo, são reconciliados com a Igreja, que tinham ferido com o seu pecado, a qual, pela caridade, exemplo e oração, trabalha pela sua conversão» (3).

Como se chama este sacramento?

É chamado sacramento da conversãoporque realiza sacramentalmente o apelo de Jesus à conversão (4) e o esforço de regressar à casa do Pai (5) da qual o pecador se afastou pelo pecado.

É chamado sacramento da Penitênciaporque consagra uma caminhada pessoal e eclesial de conversão, de arrependimento e de satisfação por parte do cristão pecador.

É chamado sacramento da confissãoporque o reconhecimento, a confissão dos pecados perante o sacerdote é um elemento essencial deste sacramento. Num sentido profundo, este sacramento é também uma «confissão», reconhecimento e louvor da santidade de Deus e da sua misericórdia para com o homem pecador.

E chamado sacramento do perdãoporque, pela absolvição sacramental do sacerdote. Deus concede ao penitente «o perdão e a paz» (6).

E chamado sacramento da Reconciliação, porque dá ao pecador o amor de Deus que reconcilia: «Deixai-vos reconciliar com Deus» (2 Cor 5, 20). Aquele que vive do amor misericordioso de Deus está pronto para responder ao apelo do Senhor: «Vai primeiro reconciliar-te com teu irmão» (Mt 5, 24).”

Como fazer uma boa confissão?

Cada vez mais e mais pessoas têm buscado a cura da alma, fiéis têm também encurtado o tempo de uma confissão para outra, mas é preciso ficar atento, pois não basta confessar-se várias vezes, é preciso confessar-se bem. Mas como fazer isso?

Confessar-se é dizer a verdade, relatar algo que foi feito; confessar significa assumir tal ato. No caso da confissão sacramental, significa dizer os pecados, os erros cometidos contra os mandamentos de Deus.

Quatro passos necessários para uma boa confissão

Podemos dizer que são necessários quatro passos. No primeiro, a pessoa deve colocar-se em oração, pedir a Deus a graça de uma sincera contrição; no segundo, fazer um bom exame de consciência ao rezar, lembrar como foi a caminhada da última confissão até o presente; depois, buscar o sacerdote e confessar. Por fim, após a confissão, cumprir a penitência.

O primeiro passo é rezar, orar a Deus e pedir um coração arrependido do mal realizado, pois nem sempre este se arrepende; muitas vezes, a consciência está laxa, ou seja, até sabe que errou, mas não veio o arrependimento. A oração será esse pedido a Deus, para que se convença do mal e se arrependa.

Segundo passo: simultaneamente, importante fazer um bom exame de consciência, ou seja, fazer um balanço desde a última confissão sobre os males cometidos. Nesse momento, vale dizer que pecado confessado é pecado perdoado. Se um pecado foi confessado e não mais cometido, não se confessa novamente. Outra dica interessante: se você tem dificuldades, medo ou vergonha de se confessar, faça o seguinte: anote seus pecados. Isso ajudará muito você e o sacerdote.

O terceiro passo: buscar um sacerdote católico, um padre ligado à Igreja Católica Apostólica Romana, pois ele recebeu o múnus, o serviço de celebrar este sacramento pela autoridade do bispo que o ordenou e do bispo local. É em nome de Nosso Senhor Jesus Cristo e da Igreja que o padre perdoa os pecados.

Não se preocupe: “O que o padre vai pensar de mim?” ou “O padre é pecador como eu!”. O padre não vai ficar pensando nisso. Imagine! Se assim fosse, não iria conseguir viver só pensando nos males do ser humano. Ele recebe a graça de acolher, ouvir, dar uma direção. Pela imposição das mãos dos apóstolos, pela graça da sucessão apostólica, os sacerdotes são colaboradores dos bispos, dos primeiros apóstolos que deram este poder para os outros apóstolos até chegar aos de hoje. Por que confessamos? Porque acreditamos no perdão e na autoridade de perdoar pecados concedida por Jesus Cristo aos apóstolos (Jo 20,22-23). O padre é pecador, mas é um escolhido; e independentemente de sua santidade, quando ele ministra e perdoa os pecados, a pessoa está perdoada.

O quarto passo: depois de confessar, o padre dá alguma orientação. Pode ser que ele peça para o fiel rezar o ato de contrição; depois, dá a penitência. Sobre o ato de contrição, existem fórmulas longas, outras curtas e também pode ser rezado espontaneamente. O padre, normalmente, dá alguma penitência para que o fiel repare o mal; pode ser uma oração, um gesto para que se retome à santidade perdida pelo pecado. E se o padre não deu penitência? Acalme-se! A confissão é válida. Faça uma oração e tenha atitudes de um cristão, ou seja, retome a vivência dos mandamentos, viva a vida perguntando-se como Jesus faria se estivesse no seu lugar.

 

 

Quanto ao exame de consciência, indicamos o app Misericórdia, disponível para Android:

https://play.google.com/store/apps/details?id=com.phonegap.misericordia&hl=pt

O aplicativo ajuda bastante na preparação para a confissão, sendo possível marcar os pecados que devem ser confessados e salvar as datas em que você conseguiu obter a graça do sacramento da Reconciliação, permitindo haver uma noção de sua frequência no Sacramento.

Não banalize o sacramento da confissão

A confissão é uma bênção, por isso não a banalize, não a trate de qualquer forma. Examine a sua consciência, confesse-se e proponha-se a não mais pecar. Seja firme com você mesmo e tenha atenção às brechas que você deixa para o inimigo. Quando se deixa de rezar e vigiar, qualquer um se torna presa fácil.

Reze sua oração pessoal, vá à Missa, tenha devoções e reze o terço. Vigie. Esse ambiente é legal? Esse programa convém? Por fim, como foi dito acima, lembre-se de que não basta se confessar várias vezes, é preciso confessar-se e romper com o pecado. Com a graça de Deus, siga em frente e tenha a santidade como meta.

As confissões comunitárias são sempre válidas?

É provável que você já tenha ouvido falar – ou mesmo passado por essa experiência – de alguém que foi buscar a confissão em alguma paróquia e, para sua surpresa, não tenha encontrado a celebração ordinária do sacramento da penitência (com a confissão auricular e absolvição individual); senão, uma celebração comunitária com absolvição coletiva. O que dizer sobre isso?

A atual legislação canônica, mais precisamente o cânon 960 do Código de Direito Canônico, destaca expressamente que a confissão individual e íntegra e a absolvição constituem o único modo ordinário, com o qual o fiel, consciente de pecado grave, reconcilia-se com Deus e com a Igreja.

“Em casos de grave necessidade, pode-se recorrer à celebração comunitária da reconciliação, com confissão geral e absolvição geral” (CIC 1483). A Mãe Igreja, à semelhança do Seu Senhor, deseja que todos os homens se salvem. Por isso, guardando as necessárias disposições, procura facilitar ao máximo a recepção dos auxílios da graça aos seus filhos por meio dos sacramentos.

Com base nesse princípio e motivada historicamente, sobretudo pelas duas grandes guerras mundiais, a Igreja introduziu a disciplina que possibilita a administração do sacramento da penitência com a absolvição coletiva.

Casos em que é possível fazer confissão comunitária

A absolvição dada, ao mesmo tempo, a vários penitentes, sem a prévia confissão individual, constitui uma forma excepcional da administração do sacramento da penitência, que só pode ser empregada quando (cf. c. 961):

Perigo de morte

1) Haja iminente perigo de morte e não haja tempo para que o sacerdote ou os sacerdotes ouçam a confissão de cada um dos penitentes.

Não há número suficiente de confessores

2) Haja grave necessidade, isto é, quando, por causa do número de penitentes, não há número suficiente de confessores para ouvirem as confissões de cada um, dentro de um espaço de tempo razoável, de tal modo que os penitentes, sem culpa própria, seriam forçados a ficar muito tempo (mais de um mês) sem a graça sacramental ou sem a sagrada comunhão.

Permitida em situações objetivamente extraordinárias

O juízo para saber se, em determinado caso concreto, ocorre o que está prescrito no segundo item citado acima, não compete ao confessor, mas ao bispo diocesano, que só pode permitir a absolvição geral em situações objetivamente extraordinárias (cf. Motu Proprio Misericordia Dei, 4), previamente e por escrito. Não se considera, porém, necessidade suficiente quando não é possível ter os confessores necessários só pelo fato de grande concurso de penitentes, como pode acontecer numa grande festividade ou numa peregrinação (cfr. c. 961 §1, 2º).

A absolvição geral coletiva, nos casos excepcionais previstos, deve ser precedida de uma adequada catequese que explique aos fiéis as condições para a sua validade, deixando claro que aqueles que recebem a absolvição coletiva deverão – para que o sacramento seja válido –, confessar, em tempo devido, individualmente, todos os pecados graves que, naquele momento, não puderam confessar e que devem receber a absolvição individual antes de receberem uma nova absolvição geral.

Não é demais lembrar que todo aquele que, em razão do ofício, tem cura de almas (p. ex. o pároco) está obrigado a providenciar que sejam ouvidas as confissões dos fiéis que lhe estão confiados e que, de modo razoável, peçam para se confessar, a fim de que aos mesmos se ofereça a oportunidade de se confessarem individualmente em dias e horas que lhes sejam convenientes (cfr. c. 986 §1).

Fontes:

Catecismo da Igreja Católica

https://opusdei.org/pt-br/article/exame-de-consciencia-para-a-confissao-adultos/

Como posso me preparar para uma boa confissão?

Quando fazer confissão comunitária?