Dúvidas frequentes sobre exorcismos

O que é um exorcismo?

Um exorcismo é um sacramental, uma forma de oração que a Igreja usa contra a atividade demoníaca frente a uma possessão (no caso de pessoas) ou infestação (no caso de locais, objetos ou animais).

 

Mas o que é um sacramental?

O catecismo nos ensina que são “os sinais sagrados instituídos pela Igreja, cujo objetivo é preparar os homens para receber o fruto dos sacramentos e santificar as diferentes circunstâncias da vida”. (Catecismo da Igreja Católica, 1667)

 

Qual a diferença de um sacramental para um sacramento propriamente dito?

A diferença reside no fato de que os sacramentais não conferem a graça do Espírito Santo à maneira dos sacramentos, mas, pela oração da Igreja, preparam para receber a graça e dispõem à cooperação com ela. Referem-se mais às circunstâncias variadas da vida cotidiana cristã e ao uso das coisas úteis à humanidade. São exemplos de sacramentais as diversas bênçãos de objetos (seja para uso litúrgico ou não) e de pessoas (como as bênçãos para certos ministérios da Igreja – leitores, acólitos, catequistas, etc.), além do exorcismo, de que trataremos aqui. (Catecismo da Igreja Católica, 1670 a 1672)

 

Por que a Igreja necessita de exorcismos?

Certas vezes, as pessoas necessitam de proteção especial contra os poderes demoníacos ou de resgate de seu poderio espiritual maligno. Nessas ocasiões, a Igreja ordena publicamente, com base em sua autoridade atribuída por Cristo, a proteção ou a liberação através da utilização do rito do exorcismo.

 

Existe base bíblica para o exorcismo?

O próprio Cristo expulsou demônios e confiou a seus apóstolos também essa missão. São diversas as passagens em que vemos isso, tais como Mateus 10, 8, Marcos 3, 14-15; 6,13; 16,17 e Lucas, 9,1; 10,17. Portanto, quando os padres realizam o rito de expulsão de demônios, não o fazem em nome próprio, mas em nome de Cristo, que lhes confiou esse poder.

 

 

Os exorcismos são essas coisas grandiosas somente realizadas extraordinariamente?

Não. De fato, uma forma simples de exorcismo é praticada durante a celebração do Batismo. Todavia, o exorcismo solene, também chamado de “grande exorcismo”, só pode ser praticado por um sacerdote exorcista indicado como tal pelo respectivo bispo. Em tais casos, a prudência é extremamente necessária, além da observação estrita das regras estabelecidas pela Igreja. O Código de Direito Canônico é claro, no cânon 1172, quando define que:

“Ninguém pode legitimamente exorcizar os possessos, a não ser com licença especial e expressa do Ordinário do lugar.

  • 2º Esta licença somente seja concedida pelo Ordinário do lugar a um presbítero dotado de piedade, ciência, prudência e integridade de vida.”

 

Sendo assim, diante de uma suspeita de atividade demoníaca, a Igreja já ordena a celebração de um exorcismo?

Também não. Lembremos que a Igreja deve sempre ser prudente em seu Ministério. Antes de ordenar a realização do rito, deve-se preceder um estudo de caso para que se constate que o comportamento aparentemente demoníaco de uma pessoa não se trata, de fato, de uma enfermidade psíquica. Nesses casos, a Igreja remete o paciente aos cuidados da ciência médica. Portanto, somente após um minucioso estudo médico, psicológico e psiquiátrico, é que a Igreja determina que se trata realmente da presença do maligno e não de mero acometimento de enfermidade psíquica ou congênere, sendo autorizado o sacerdote exorcista a ministrar o sacramental. (Catecismo da Igreja Católica, 1673)

O Padre Gabrielle Amorth, grande exorcista dos últimos anos, todavia, nos lembra que “somente através do próprio exorcismo é que podemos determinar com certeza se há, realmente, uma influência satânica. Todo fenômeno que encontramos, não importa quão estranho ou inexplicável, pode ter uma explicação natural. Mesmo quando estamos de frente a uma multiplicidade de fenômenos psiquiátricos e parapsicológicos, pode ser que não tenhamos dados suficientes para um diagnóstico. É somente através de um exorcismo propriamente dito que podemos ter certeza de que estamos lidando com influência satânica ou não”. [Tradução livre de trecho do livro Gabrielle Amorth – An Exorcist Tells His Story, págs. 27 e 28]

 

Quais símbolos rituais são usados nos exorcismos e o que simbolizam?

Além do uso dos Salmos e da Recitação do Evangelho e de preces exorcizantes, uma série de sacramentais é utilizada no Rito do Exorcismo Maior. Iniciando os trabalhos, a água é abençoada e aspergida a fim de rememorar a centralidade da nova vida no Batismo da pessoa afligida pelo demônio e a derrota última do inimigo através do trabalho salvífico de Cristo. A imposição das mãos, assim como o sopro na face da pessoa (exsuflação) pelo exorcista, reafirmam o poder do Espírito Santo em atividade na pessoa em razão de seu Batismo, confirmando-a como templo de Deus. Finalmente, a Cruz de Nosso Senhor é mostrada à pessoa afligida e o Sinal da Cruz é feito sobre ela, demonstrando o poder de Cristo sobre o demônio.

Mas, pela prática de exorcistas experientes, sabemos que outras coisas têm especial efeito durante o rito, dentre elas, proeminentemente, a invocação do nome da Santa Mãe de Deus, Maria, “o Terror do Inferno”, como nos lembra o Monsenhor Rubens Miraglia Zani. (20:21 de https://www.youtube.com/watch?v=5kpBa9r5TZQ)

 

 

Os leigos podem ajudar em exorcismos? Membros não ordenados podem estar presentes enquanto um exorcismo é realizado?

Sim. Inclusive o De Exorcismis et Supplicationibus Quibusdam, documento que contém o Rito de Exorcismo expressamente autorizado pela Igreja, recomenda justamente que o exorcista não exerça seu encargo sozinho. Apesar de algumas partes da oração serem exclusivas do sacerdote que toma a frente do Rito, outras podem ser ditas por seus assistentes, que podem ser, inclusive, leigos. Temos como exemplo de leigo fortemente envolvido no ministério do Exorcismo o americano Adam Blai, Mestre em Psicologia Clínica Adulta pela Penn Sate University, que, inclusive, atua não só na assistência de realização de exorcismos, como também na formação de exorcistas, sendo membro auxiliar da Associação Internacional de Exorcistas.

 

 

Aqueles fenômenos sobrenaturais que os possessos manifestam em filmes são verdadeiros?

Apesar de raros, a maioria dos exorcistas atesta que fenômenos como força sobre-humana, levitação, imitação das vozes de mortos, entre outros, por parte dos possessos, são, sim, possíveis. Todavia, não passam de mero estratagema demoníaco a fim de distrair os encarregados do exorcismo do seu ofício de oração, verdadeira arma contra a atividade demoníaca. São meras “pirotecnias”, como bem assevera o Monsenhor Zani.

 

O que torna uma pessoa mais suscetível à possessão demoníaca?

A prática exorcista nos mostra que uma relação íntima com o pecado, especialmente com aqueles contra o primeiro mandamento, acaba tornando uma pessoa mais propensa à atividade demoníaca extraordinária. Portanto, temos que a necromancia, as tentativas de adivinhação supersticiosa do futuro, as mais variadas práticas de ocultismo, o uso de tarot, ouija, a blasfêmia, etc. são as principais formas de abertura da alma para o maligno. Todavia, cabe-nos lembrar que todos estamos propensos à atividade demoníaca ordinária, qual seja a tentação, e que, apesar de mais comum, é o meio pelo qual as almas mais se perdem.

 

Referências e maiores informações:

http://www.usccb.org/prayer-and-worship/sacraments-and-sacramentals/sacramentals-blessings/exorcism.cfm

http://www.religiousdemonology.com/

 

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