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Conheça melhor o “Canto Gregoriano”

História do Canto Gregoriano: origem e relação com São Gregório Magno

“A expressão ‘Canto Gregoriano’ tem um significado além da simples referência ao ‘gênero’ musical praticado nos mosteiros pelo mundo e entoado por seus monges. A priori devemos ter em mente que ela diz respeito e está intimamente ligada à forma como as comunidades cristãs primitivas oravam, meditavam e escutavam da Palavra de Deus. Em suma, o Canto Gregoriano é ORAÇÃO”.

Fruto de pesquisa que traduz uma riqueza histórica, a elaboração de conteúdo com muitos detalhes e avaliações precisas do maestro do Coral Diocesano de Santo André, Diego Muniz*, a série História do Canto Gregoriano abordará neste primeiro capítulo, as origens e o surgimento deste gênero de música vocal, bem como a sua relação com o Papa São Gregório.

Papa e Doutor da Igreja, São Gregório Magno é celebrado pela Igreja Católica em 3 de setembro. Nascido em Roma no ano 540, veio a falecer em 604. Deixou um grande legado de obras, devido a sua inteligência, sabedoria e caridade, como por exemplo, a instituição do celibato, a introdução do Pai Nosso na Missa e o tradicional canto gregoriano, que será tema de estudo e aprofundamento histórico nesta série de três capítulos.

Origem do Canto Gregoriano

Antes de falar sobre a relação do Canto Gregoriano com São Gregório Magno, é preciso fazer um profundo estudo sobre a sua origem. De acordo com o maestro diocesano, ainda hoje não é possível precisar categoricamente sobre onde e quando surgiu o Canto Gregoriano.

“Entretanto, antes de realizarmos qualquer inferência sobre o tema, devemos partir da premissa que a expressão “Canto Gregoriano” tem um significado além da simples referência ao “gênero” musical praticado nos mosteiros pelo mundo e entoado por seus monges. A priori devemos ter em mente que ela diz respeito e está intimamente ligada à forma como as comunidades cristãs primitivas oravam, meditavam e escutavam da Palavra de Deus. Em suma, o Canto Gregoriano é ORAÇÃO“, explica.

Diego prossegue citando o argumento do Cônego ratisbonense Pedro Griesbacher, compreendendo que o início da liturgia católica tem início na Santa Ceia quando, após partir o pão e entregar o vinho a seus discípulos e, tendo Jesus cantado um Hino antes de partir para o Monte das Oliveiras, presume-se que este Hino entoado por Ele se tratava do que se chama no judaísmo de Hallel, isto é, Salmos (Sl. 113-118) utilizados para louvar e agradecer a Deus em festividades daquela religião.

“Partindo destas afirmações, podemos imaginar que possam existir semelhanças entre a forma que Jesus cantou na Santa Ceia e a forma que se cantam as salmodias nos tempos atuais uma vez que, juntamente com a entrada do Antigo Testamento na liturgia cristã, o modo de cantar judaico também tenha sido inserido na mesma. Em uma conhecida passagem da Carta de Paulo aos Efésios, é nítido o incentivo do Apóstolo ao canto dos cristãos primitivos quando diz: “Não vos embriagueis com vinho -pois isto leva ao descontrole-, mas enchei-vos do Espírito: entoais juntos salmos, hinos e cânticos espirituais; cantai e salmodiai ao Senhor, de todo o coração;” (Ef. 5, 18-19).

O Cristianismo e as liturgias

Diego aprofunda ainda mais o tema, ao destacar que tendo o Cristianismo mantido a cantilação dos Salmos e o Canto Gregoriano tendo sido parte integrante da liturgia desde o século IV (haja vista que o Credo data do I Concílio de Nicéia no ano de 325), este teve a influência da cultura e da língua grega no início do cristianismo (uma vez que os gregos gozavam de superioridade no que se referia às artes e à matemática em comparação aos romanos da época) e viveu e acompanhou o florescimento da liturgia na Igreja que em seus primórdios definiu uma forma estabelecida e convencionada de culto em oposição aos diferentes ritos que existiam à época do imperador Constantino.

“Esta convenção chegou à sua forma completa somente por volta do ano 1000 e a primeira edição oficial do Missal Romano apenas cerca de 600 anos depois no século XVI”, complementa.

Para fins históricos, o Prof. Dr. Clayton Dias diz que “junto do florescimento de diversas liturgias, muitas delas ligadas a lugares específicos, florescem também cantos próprios e que acompanhavam tais liturgias tais como o galicano, moçarábico, aquilense, beneventano, ambosiano e o canto romano antigo. Do entrelaçamento do canto romano antigo com o canto galicano (romano-franco) surgiu o que seria então mais conhecido como Gregoriano.

Os demais foram “suplantados” à medida em que, por imposição de Carlos Magno (à época imperador do Sacro Império Romano) em vista da unificação política, liturgia e canto se impunham por todo o Império.

Associação a São Gregório Magno

Contextualizada toda a pesquisa e conteúdo apresentado, chegamos ao ponto mencionado no início deste capítulo, ou seja, de elucidar a relação do Canto Gregoriano com o santo celebrado em 3 de setembro.

O maestro Diego Muniz constata que o Canto Gregoriano viveu diversas fases no que se refere à sua estética e, para manter suas características intrínsecas ao texto e favoráveis à oração, necessitou em alguns momentos de homens inspirados a reformá-lo.

“O primeiro que podemos denominar grande reformador foi Santo Ambrósio que, além de fazer a mediação entre o Ocidente e o Oriente compôs um grande número de melodias (utilizadas hoje no Rito Ambrosiano, característico da Arquidiocese de Milão). O segundo nome importante na história foi o Papa Gregório Magno, principal reformador por ter selecionado e compilado textos manuscritos do século VIII e IX que do século X em diante receberam notação musical e que, estando dispostos na ordem do calendário litúrgico gregoriano do século VIII, passaram a se chamar Canto Gregoriano”, salienta.

Além desse fato, há uma conhecida lenda que permeia a relação de São Gregório Magno com este repertório. A mesma diz que pelo fato de São Gregório ter promovido as reformas no culto, teria ele recebido do Espírito Santo em forma de pomba a inspiração para compor as melodias a partir daí chamadas de gregorianas, como afirma Diego.

“Esta lenda está ilustrada através de uma imagem do Antifonário de Hartker do Mosteiro Beneditino de Saint Gallen na Suíça onde vemos um escriba sentado à frente do Papa Gregório (este paramentado e posicionado em sua cátedra), escrevendo as melodias cantadas por ele. No ombro direito do Papa há a pomba do Espírito Santo, com o bico bem próximo ao seu ouvido sugerindo melodias”, finaliza.

Por Fábio Sales

* Diego Muniz é mestrando em música pela USP, bacharel em regência pela UNESP, tendo regido, entre outros, a Sinfônica Jovem do Estado de São Paulo, Pro Coro do Canadá e Vancouver Chamber Choir.

 

Fonte: https://www.vaticannews.va/pt/igreja/news/2020-09/historia-canto-gregoriano-origem-relacao-sao-gregorio-magno.html

 

Vamos apreciar juntos mais um pouco de Canto Gregoriano:

Rorate Cæli – Canto gregoriano para o Advento

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O Advento: tempo de conversão

O Advento é a preparação/espera para celebrar o Natal. Nosso Salvador Se fez um pequeno menino para nos redimir, para manifestar a doçura da presença de “Deus conosco” (Mt 1,23). Ao mesmo tempo, é preparação/espera para a segunda vinda de Nosso Senhor.

Advento é tempo de penitência

O Ano Litúrgico gira em torno de duas grandes celebrações: Natal e Páscoa. Mas, para que estes dois grandes acontecimentos sejam celebrados de uma maneira digna, genuinamente cristã, existe um período de preparação: a quaresma para a Páscoa e o advento para o Natal. O advento, por incrível que pareça, é um tempo penitencial (a cor da estola é roxa). É claro que é menos penitencial do que a quaresma, mas é penitencial.

O que seria essa preparação para o Natal? Pense o seguinte: como o Natal deveria ser vivido e celebrado? Com que espírito eu deveria acordar e viver no dia 25 de dezembro? Natal lembra a vitória da luz: por causa de Cristo a nossa vida pode ser uma vida iluminada e iluminadora. Então, se o Natal lembra a luz (veja como aumenta a iluminação nas nossas cidades), a melhor preparação para o mesmo exige um retirar de dentro de nós tudo o que não é luz.

Advento é tempo de arrumar a casa interior, arrumar a nossa vida em família, reorientar nossos projetos, readquirir confiança em Deus, na vida, nas pessoas e em si mesmo. Por isso, o advento inclui uma necessidade de intensificação da vida cristã: novena de natal, perdão dos pecados, mais oração e leitura bíblica, mais fraternidade e solidariedade.

As Celebrações do Advento

Advento deve ser celebrado com sobriedade e com discreta alegria. Não se canta o Glória, para que na festa do Natal, nos unamos aos anjos e entoemos este hino como algo novo, dando glória a Deus pela salvação que realiza no meio de nós. Pelo mesmo motivo, o diretório litúrgico da CNBB orienta que flores e instrumentos sejam usados com moderação, para que não seja antecipada a plena alegria do Natal de Jesus. 

As vestes litúrgicas (casula, estola, etc.) são de cor roxa, bem como o pano que recobre o ambão, como sinal de conversão em preparação para a festa do Natal, com exceção do terceiro domingo do Advento, Domingo da Alegria ou Domingo Gaudete, cuja cor tradicionalmente usada é a rósea, em substituição ao roxo, para revelar a alegria da vinda do Libertador, que está bem próxima e se refere à segunda leitura que diz: “Alegrai-vos sempre no Senhor. Repito, alegrai-vos, pois o Senhor está perto”. (Fl 4, 4). 

Vários símbolos do Advento nos ajudam a mergulhar no mistério da encarnação e a vivenciar melhor este tempo:

1. A coroa pode ser pendurada no presbitério, colocada no canto do altar ou em qualquer outro lugar visível.
2. A luz nascente indica a proximidade do Natal, quando Cristo, Salvador e Luz do mundo, brilhará para toda a humanidade, e representa também nossa fé e nossa alegria pelo Deus que vem.
3. O círculo, sem começo e sem fim, simboliza a eternidade; os ramos sempre verdes são sinais de esperança e da vida nova que Cristo trará e que não passa.
4. A fita vermelha que enfeita a coroa representa o amor de Deus que nos envolve e a manifestação do nosso amor, que espera ansioso o nascimento do Filho de Deus.
5. A cor roxa das velas nos convida a purificar nossos corações em preparação para acolher o Cristo que vem.
6. A vela de cor rosa nos chama à alegria, pois o Senhor está próximo.
7. Os detalhes dourados prefiguram a glória do Reino que virá.

Nas duas primeiras semanas do Advento, a liturgia expressa o aspecto escatológico do Advento, colocando nos corações a alegre expectativa pela segunda vinda de Cristo. Nas semanas seguintes, a Igreja nos prepara diretamente para a celebração do Natal do Senhor. 

O ato de acender as velas pode ser colocado no início da celebração eucarística, no início da liturgia da palavra ou em qualquer outro momento, desde que se harmonize com a celebração. Em qualquer caso, deve ser um momento que celebra o caminho de espera do Senhor. O acender das velas deve ser acompanhado de uma oração própria e de um canto, o mesmo para os quatro domingos.

No primeiro domingo deste tempo litúrgico, acende-se a primeira vela, que simboliza o perdão a Adão e a Eva.

No segundo domingo, a segunda vela acesa representa a  dos patriarcas. Eles creram no dom da terra prometida.

terceira vela simboliza a alegria do rei David, que celebrou a aliança e sua continuidade.

última vela, acesa no último domingo, ou seja, que antecede o Natal, representa o ensinamento dos profetas que anunciaram um reino de paz e justiça.

Fontes: https://pss.org.br/2013/12/06/advento-e-tempo-de-penitencia/

https://www.a12.com/redacaoa12/liturgia/a-celebracao-do-advento

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A necessidade da boa Confissão

Que é a confissão? Ela é um sacramento?

O Catecismo da Igreja nos ensina, no capítulo que trata dos “Sacramentos de Cura”, que:

1422. «Aqueles que se aproximam do sacramento da Penitência obtêm da misericórdia de Deus o perdão da ofensa a Ele feita e, ao mesmo tempo, são reconciliados com a Igreja, que tinham ferido com o seu pecado, a qual, pela caridade, exemplo e oração, trabalha pela sua conversão» (3).

Como se chama este sacramento?

É chamado sacramento da conversãoporque realiza sacramentalmente o apelo de Jesus à conversão (4) e o esforço de regressar à casa do Pai (5) da qual o pecador se afastou pelo pecado.

É chamado sacramento da Penitênciaporque consagra uma caminhada pessoal e eclesial de conversão, de arrependimento e de satisfação por parte do cristão pecador.

É chamado sacramento da confissãoporque o reconhecimento, a confissão dos pecados perante o sacerdote é um elemento essencial deste sacramento. Num sentido profundo, este sacramento é também uma «confissão», reconhecimento e louvor da santidade de Deus e da sua misericórdia para com o homem pecador.

E chamado sacramento do perdãoporque, pela absolvição sacramental do sacerdote. Deus concede ao penitente «o perdão e a paz» (6).

E chamado sacramento da Reconciliação, porque dá ao pecador o amor de Deus que reconcilia: «Deixai-vos reconciliar com Deus» (2 Cor 5, 20). Aquele que vive do amor misericordioso de Deus está pronto para responder ao apelo do Senhor: «Vai primeiro reconciliar-te com teu irmão» (Mt 5, 24).”

Como fazer uma boa confissão?

Cada vez mais e mais pessoas têm buscado a cura da alma, fiéis têm também encurtado o tempo de uma confissão para outra, mas é preciso ficar atento, pois não basta confessar-se várias vezes, é preciso confessar-se bem. Mas como fazer isso?

Confessar-se é dizer a verdade, relatar algo que foi feito; confessar significa assumir tal ato. No caso da confissão sacramental, significa dizer os pecados, os erros cometidos contra os mandamentos de Deus.

Quatro passos necessários para uma boa confissão

Podemos dizer que são necessários quatro passos. No primeiro, a pessoa deve colocar-se em oração, pedir a Deus a graça de uma sincera contrição; no segundo, fazer um bom exame de consciência ao rezar, lembrar como foi a caminhada da última confissão até o presente; depois, buscar o sacerdote e confessar. Por fim, após a confissão, cumprir a penitência.

O primeiro passo é rezar, orar a Deus e pedir um coração arrependido do mal realizado, pois nem sempre este se arrepende; muitas vezes, a consciência está laxa, ou seja, até sabe que errou, mas não veio o arrependimento. A oração será esse pedido a Deus, para que se convença do mal e se arrependa.

Segundo passo: simultaneamente, importante fazer um bom exame de consciência, ou seja, fazer um balanço desde a última confissão sobre os males cometidos. Nesse momento, vale dizer que pecado confessado é pecado perdoado. Se um pecado foi confessado e não mais cometido, não se confessa novamente. Outra dica interessante: se você tem dificuldades, medo ou vergonha de se confessar, faça o seguinte: anote seus pecados. Isso ajudará muito você e o sacerdote.

O terceiro passo: buscar um sacerdote católico, um padre ligado à Igreja Católica Apostólica Romana, pois ele recebeu o múnus, o serviço de celebrar este sacramento pela autoridade do bispo que o ordenou e do bispo local. É em nome de Nosso Senhor Jesus Cristo e da Igreja que o padre perdoa os pecados.

Não se preocupe: “O que o padre vai pensar de mim?” ou “O padre é pecador como eu!”. O padre não vai ficar pensando nisso. Imagine! Se assim fosse, não iria conseguir viver só pensando nos males do ser humano. Ele recebe a graça de acolher, ouvir, dar uma direção. Pela imposição das mãos dos apóstolos, pela graça da sucessão apostólica, os sacerdotes são colaboradores dos bispos, dos primeiros apóstolos que deram este poder para os outros apóstolos até chegar aos de hoje. Por que confessamos? Porque acreditamos no perdão e na autoridade de perdoar pecados concedida por Jesus Cristo aos apóstolos (Jo 20,22-23). O padre é pecador, mas é um escolhido; e independentemente de sua santidade, quando ele ministra e perdoa os pecados, a pessoa está perdoada.

O quarto passo: depois de confessar, o padre dá alguma orientação. Pode ser que ele peça para o fiel rezar o ato de contrição; depois, dá a penitência. Sobre o ato de contrição, existem fórmulas longas, outras curtas e também pode ser rezado espontaneamente. O padre, normalmente, dá alguma penitência para que o fiel repare o mal; pode ser uma oração, um gesto para que se retome à santidade perdida pelo pecado. E se o padre não deu penitência? Acalme-se! A confissão é válida. Faça uma oração e tenha atitudes de um cristão, ou seja, retome a vivência dos mandamentos, viva a vida perguntando-se como Jesus faria se estivesse no seu lugar.

 

 

Quanto ao exame de consciência, indicamos o app Misericórdia, disponível para Android:

https://play.google.com/store/apps/details?id=com.phonegap.misericordia&hl=pt

O aplicativo ajuda bastante na preparação para a confissão, sendo possível marcar os pecados que devem ser confessados e salvar as datas em que você conseguiu obter a graça do sacramento da Reconciliação, permitindo haver uma noção de sua frequência no Sacramento.

Não banalize o sacramento da confissão

A confissão é uma bênção, por isso não a banalize, não a trate de qualquer forma. Examine a sua consciência, confesse-se e proponha-se a não mais pecar. Seja firme com você mesmo e tenha atenção às brechas que você deixa para o inimigo. Quando se deixa de rezar e vigiar, qualquer um se torna presa fácil.

Reze sua oração pessoal, vá à Missa, tenha devoções e reze o terço. Vigie. Esse ambiente é legal? Esse programa convém? Por fim, como foi dito acima, lembre-se de que não basta se confessar várias vezes, é preciso confessar-se e romper com o pecado. Com a graça de Deus, siga em frente e tenha a santidade como meta.

As confissões comunitárias são sempre válidas?

É provável que você já tenha ouvido falar – ou mesmo passado por essa experiência – de alguém que foi buscar a confissão em alguma paróquia e, para sua surpresa, não tenha encontrado a celebração ordinária do sacramento da penitência (com a confissão auricular e absolvição individual); senão, uma celebração comunitária com absolvição coletiva. O que dizer sobre isso?

A atual legislação canônica, mais precisamente o cânon 960 do Código de Direito Canônico, destaca expressamente que a confissão individual e íntegra e a absolvição constituem o único modo ordinário, com o qual o fiel, consciente de pecado grave, reconcilia-se com Deus e com a Igreja.

“Em casos de grave necessidade, pode-se recorrer à celebração comunitária da reconciliação, com confissão geral e absolvição geral” (CIC 1483). A Mãe Igreja, à semelhança do Seu Senhor, deseja que todos os homens se salvem. Por isso, guardando as necessárias disposições, procura facilitar ao máximo a recepção dos auxílios da graça aos seus filhos por meio dos sacramentos.

Com base nesse princípio e motivada historicamente, sobretudo pelas duas grandes guerras mundiais, a Igreja introduziu a disciplina que possibilita a administração do sacramento da penitência com a absolvição coletiva.

Casos em que é possível fazer confissão comunitária

A absolvição dada, ao mesmo tempo, a vários penitentes, sem a prévia confissão individual, constitui uma forma excepcional da administração do sacramento da penitência, que só pode ser empregada quando (cf. c. 961):

Perigo de morte

1) Haja iminente perigo de morte e não haja tempo para que o sacerdote ou os sacerdotes ouçam a confissão de cada um dos penitentes.

Não há número suficiente de confessores

2) Haja grave necessidade, isto é, quando, por causa do número de penitentes, não há número suficiente de confessores para ouvirem as confissões de cada um, dentro de um espaço de tempo razoável, de tal modo que os penitentes, sem culpa própria, seriam forçados a ficar muito tempo (mais de um mês) sem a graça sacramental ou sem a sagrada comunhão.

Permitida em situações objetivamente extraordinárias

O juízo para saber se, em determinado caso concreto, ocorre o que está prescrito no segundo item citado acima, não compete ao confessor, mas ao bispo diocesano, que só pode permitir a absolvição geral em situações objetivamente extraordinárias (cf. Motu Proprio Misericordia Dei, 4), previamente e por escrito. Não se considera, porém, necessidade suficiente quando não é possível ter os confessores necessários só pelo fato de grande concurso de penitentes, como pode acontecer numa grande festividade ou numa peregrinação (cfr. c. 961 §1, 2º).

A absolvição geral coletiva, nos casos excepcionais previstos, deve ser precedida de uma adequada catequese que explique aos fiéis as condições para a sua validade, deixando claro que aqueles que recebem a absolvição coletiva deverão – para que o sacramento seja válido –, confessar, em tempo devido, individualmente, todos os pecados graves que, naquele momento, não puderam confessar e que devem receber a absolvição individual antes de receberem uma nova absolvição geral.

Não é demais lembrar que todo aquele que, em razão do ofício, tem cura de almas (p. ex. o pároco) está obrigado a providenciar que sejam ouvidas as confissões dos fiéis que lhe estão confiados e que, de modo razoável, peçam para se confessar, a fim de que aos mesmos se ofereça a oportunidade de se confessarem individualmente em dias e horas que lhes sejam convenientes (cfr. c. 986 §1).

Fontes:

Catecismo da Igreja Católica

https://opusdei.org/pt-br/article/exame-de-consciencia-para-a-confissao-adultos/

Como posso me preparar para uma boa confissão?

Quando fazer confissão comunitária?

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Como podemos socorrer as almas do Purgatório através das…

Vaticano facilita obtenção de indulgência plenária do dia dos fiéis defuntos

Antes de qualquer coisa: O QUE SÃO AS INDULGÊNCIAS?

O Padre Paulo Ricardo, como sempre, explica maravilhosamente bem no vídeo a seguir, esclarecendo, inclusive, a diferença entre as indulgências parciais e as plenárias.

Sendo assim, para entendermos a disciplina das indulgências, precisamos compreender o que são o sacramento da Reconciliação, a Comunhão dos Santos e o Purgatório, como visto no vídeo. Os méritos de um membro da Igreja podem ser aproveitados por outros membros, já que somos UM SÓ CORPO.

Com o advento da pandemia de Covid-19, a Igreja, em exercício de misericórdia pastoral, levou em conta as atuais dificuldades que a humanidade enfrenta. Foi com isso em vista que a Santa Sé decidiu que, nos lugares onde as medidas adotadas para evitar o contágio por coronavírus dificultam a frequência aos cemitérios, amplie-se a todo o mês de novembro as indulgências plenárias para os fiéis defuntos por ocasião do Dia de Todos os Fiéis Defuntos, em 2 de novembro.

Por meio de um decreto assinado penitencieiro-mor, Cardeal Mauro Piacenza, com mandato do Papa Francisco, a Santa Sé estabelece que “a Indulgência Plenária para aqueles que visitam um cemitério e rezam pelos defuntos, ainda que apenas mentalmente, de norma estabelecida apenas de 1° a 8 de novembro, pode ser transferida para outros dias do mesmo mês até seu término. Tais dias, escolhidos livremente pelo fiel, também podem ser separados uns dos outros”.

Também se decreta que “a Indulgência Plenária de 2 de novembro, estabelecida por ocasião da Comemoração de Todos os Fiéis Defuntos para aqueles que visitam piedosamente uma igreja ou um oratório e ali rezam o ‘Pai-Nosso’ e o ‘Credo’, pode ser transferida não apenas para o domingo precedente ou seguinte ou para o dia da Solenidade de Todos os Santos, mas também para outro dia do mês de novembro, à livre escolha de cada fiel”.

Estabelece-se ainda que “idosos, os doentes e todos aqueles que por motivos graves não podem sair de casa, por exemplo, por causa das restrições impostas pela autoridade competente para o tempo de pandemia, a fim de evitar que um grande número de fiéis se aglomere nos lugares sagrados, poderão obter a Indulgência Plenária desde que, unindo-se espiritualmente a todos os outros fiéis, [estando] completamente distantes do pecado e com a intenção de cumprir o mais rápido possível as três condições habituais (confissão sacramental, Comunhão eucarística e oração segundo as intenções do Santo Padre), rezem orações piedosas pelos falecidos diante de uma imagem de Jesus ou da Bem-aventurada Virgem Maria”.

Essas orações podem ser, por exemplo, “Laudes e Vésperas do Ofício dos Defuntos, o Rosário Mariano, o Terço da Divina Misericórdia, outras orações pelos mortos queridos dos fiéis”.

Também é válido para lucrar a indulgência que “façam a leitura meditada de uma das passagens evangélicas propostas pela liturgia dos defuntos ou uma obra de misericórdia oferecendo a Deus as dores e dificuldades da própria vida”.

Por último, “convida-se fervorosamente todos os sacerdotes a celebrar três vezes a Santa Missa no dia da Comemoração de Todos os Fiéis Defuntos”.

Segundo especificado no Decreto, esta ampliação decretada pela Penitenciaria Apostólica se deve às “não poucas súplicas dos Santos Pastores, os quais pediram para este ano, devido à epidemia de Covid-19, comutar as obras piedosas a fim de alcançar as Indulgências Plenárias aplicadas às almas do Purgatório”.

Também aproveitamos para indicar outro vídeo do Padre Paulo Ricardo, em que o sacerdote expõe com mais detalhes a realidade do Purgatório e como ela está atrelada ao caminho da Santidade:

Adaptado de: https://www.acidigital.com/noticias/vaticano-facilita-obtencao-de-indulgencia-plenaria-no-dia-dos-fieis-defuntos-38516

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Aprenda a oração do Angelus

Angelus é uma oração da Igreja que honra a Encarnação do Salvador e, ao mesmo tempo, reconhece os méritos de fé e humildade da Virgem Maria: ela disse Sim a Deus quando o Anjo Gabriel (o próprio “Ângelus“, ou Anjo, que dá nome à oração) lhe anunciou que Deus a convidava para ser a Mãe de Jesus.

O Sim de Maria dá cumprimento ao anúncio dos profetas: “Uma Virgem conceberá e dará à luz o Salvador“ (Isaías 7, 14). É um dos momentos cruciais da História da Salvação, porque marca o início da Redenção com a Encarnação de Cristo, celebrada pela Igreja no dia 25 de março, nove meses antes do Natal.

Anunciação de Cortona (1430), de Fra Angelico

A composição da oração do Angelus é atribuída ao beato papa Urbano II (pontífice de 1088 a 1099). Já a tradição de rezá-la três vezes ao dia foi iniciada pelo rei Luis XI, da França, em 1472.

Reza-se o Angelus, tradicionalmente, às 6 horas, ao meio-dia e às 18 horas. Muitas localidades preservam o costume de tocar os sinos das igrejas para destacar a popularmente chamada “hora da Ave-Maria“.

Angelus (1859), de Jean-François Millet

A pintura de MIllet demonstra a piedosa devoção do povo camponês a essas horas sagradas, ofertadas em reconhecimento ao Sim de Nossa Senhora ao plano salvífico de Deus.

O Angelus é composto por três invocações, cada uma com a sua devida resposta, e as três juntas descrevem o mistério da Encarnação do Filho de Deus. As invocações são acompanhadas de uma jaculatória, uma breve oração e três Glórias.

COMO SE REZA O ANGELUS:

(Comumente, rezando sozinhos, não temos um guia, portanto nós mesmos devemos fazer todas as partes da oração, ainda que mentalmente.)

Guia: O Anjo do Senhor anunciou a Maria.
Todos: E Ela concebeu do Espírito Santo.

Ave, Maria, cheia de graça, o Senhor é convosco! Bendita sois vós entre as mulheres e bendito é o fruto do vosso ventre, Jesus.

Santa Maria, mãe de Deus, rogai por nós, pecadores, agora e na hora da nossa morte. Amém.

Guia: Eis aqui a escrava do Senhor.
Todos: Faça-se em mim segundo a vossa palavra.

Ave Maria…

Guia: E o Verbo se fez carne.
Todos: E habitou entre nós.

Ave Maria…

Guia: Rogai por nós, Santa Mãe de Deus!
Todos: Para que sejamos dignos das promessas de Cristo.

Guia: Oremos. Derramai, ó Deus, a Vossa graça em nossos corações, para que, conhecendo pela mensagem do anjo a encarnação do vosso Filho, cheguemos, por Sua Paixão e Cruz, à glória da Ressurreição. Por Cristo, nosso Senhor.
Todos: Amém.

Glória ao Pai, ao Filho e ao Espírito Santo. Como era no princípio, agora e sempre. Amém.

(Repete-se o Glória mais duas vezes)

Sendo assim, que tal configurar o alarme do seu celular para nutrir o hábito dessa tão bela devoção? Depois de algum tempo, você verá que não precisará mais dos alarmes para lembrar das horas da oração.

O ANGELUS EM LATIM:

Angelus Domini nuntiavit Mariæ,

Et concepit de Spiritu Sancto.

Ave Maria, gratia plena, Dominus tecum. Benedicta tu in mulieribus et benedictus fructus ventris tui, Iesus.

Sancta Maria, Mater Dei, ora pro nobis peccatoribus, nunc et in hora mortis nostræ. Amen.

Ecce Ancilla Domini.

Fiat mihi secundum Verbum tuum.

Ave Maria, gratia plena…

Et Verbum caro factum est.

Et habitávit in nobis.

Ave Maria, gratia plena…

Ora pro nobis, Sancta Dei Genetrix.

Ut digni efficiamur promissionibus Christi.

Oremus: Gratiam tuam quæsumus, Domine, mentibus nostris infunde; ut qui, angelo nuntiante, Christi Filii tui Incarnationem cognovimus, per passionem eius et crucem ad resurrectionis gloriam perducamur. Per eundem Christum Dominum nostrum. Amen.

Gloria Patri et Filio et Spiritui Sancto.

Sicut erat in principio et nunc et semper et in saecula saeculorum. Amen.

(Repete-se o Gloria Patri mais duas vezes)

Confira a beleza da oração do Angelus cantada em latim:

https://www.youtube.com/watch?v=gBQxmwiaF7M

Adaptado de: https://pt.aleteia.org/2015/09/16/a-oracao-do-angelus-sua-historia-seu-significado-e-como-reza-lo/

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Quais são as etapas de um processo de Canonização?

A notícia da beatificação de Carlo Acutis foi recebida com enorme felicidade pelos fiéis católicos de todo o mundo. Em qualquer época, mas ainda mais especialmente nos dias de hoje, é impressionante que um jovem, ainda em sua adolescência, tenha adquirido tamanha intimidade com Deus, sendo testemunho vivo de uma existência pautada no caminho de Cristo quando todo o mundo arrasta para a direção oposta. Todavia, muitas pessoas têm dúvidas acerca de como se dá a declaração de que uma pessoa é santa. O que é necessário para tanto? Qual a diferença de um “Servo de Deus” para um “Beato”? Como a Igreja investiga a suposta santidade de alguém? A resposta é: através do processo de CANONIZAÇÃO. Vejamos, em seguida, como ele se dá.

QUAIS SÃO AS ETAPAS EM UM PROCESSO ORDINÁRIO DE CANONIZAÇÃO?

São quatro as etapas:

1. SERVO DE DEUS

O Bispo Diocesano e o Postulador da Causa pedem para iniciar o Processo de Canonização. Apresentam à Santa Sé um relatório sobre a vida e as virtudes da pessoa. A Santa Sé, por meio da Congregação para a Causa dos Santos examina o relatório e dita o Decreto declarando que nada impede iniciar a Causa (Decreto “Nihil obstat”). Este Decreto é a resposta oficial da Santa Sé às autoridades diocesanas que pediram para iniciar o Processo Canônico. Obtido o Decreto de “Nihil obstat”, o Bispo Diocesano dita o Decreto de Introdução da Causa, agora, do Servo de Deus.

2. VENERÁVEL

Esta parte do caminho compreende cinco etapas:

a) A primeira etapa é o Processo sobre a vida e as virtudes do Servo de Deus. Um Tribunal, designado pelo Bispo, recebe os testemunhos das pessoas que conheceram o Servo de Deus. Esse Tribunal diocesano não dá sentença alguma; está reservada à Congregação para a Causa do Santos.

b) A segunda etapa é o Processo dos escritos. Uma comissão de censores, designados também pelo Bispo, analisa a doutrina dos escritos do Servo de Deus.

c) A terceira etapa se inicia quando estão terminados os processos anteriores. O Relator da Causa, nomeado pela Congregação para a Causa dos Santos, elabora um documento denominado “Positio”. Neste documento, se incluem, também os testemunhos, os principais aspectos da vida, virtudes e escritos do Servo de Deus.

d) A quarta etapa é a Discussão da “Positio”. Este documento, uma vez impresso, é discutido por uma Comissão de Teólogos consultores nomeados pela Congregação para a Causa dos Santos. Depois, em sessão solene de Cardeais e Bispos, a Congregação para a Causa dos Santos, por sua vez, discute o parecer da Comissão de Teólogos.

e) A quinta parte é o Decreto do Santo Padre. Se a Congregação para a Causa dos Santos aprova a “Positio”, o Santo Padre proclama o Decreto de Heroicidade de Virtudes. O que era Servo de Deus passa a ser considerado Venerável.

3. BEATO OU BEM-AVENTURADO

a) Neste estágio, o primeiro passo é mostrar o “Venerável” à comunidade como modelo de vida e intercessor diante de Deus. Para que isto possa acontecer, o Postulador da Causa deve provar diante da Congregação para a Causa dos Santos: – A fama de santidade do Venerável. Por isso elabora uma lista com as graças e favores pedidos a Deus pelos fiéis por intermédio do Venerável. – A realização de um milagre atribuído à intercessão do Venerável. O processo de examinar este “presumido” milagre se realiza na Diocese onde aconteceu o caso e onde vivem as testemunhas. Geralmente o Postulador da Causa apresenta um caso relacionado com a medicina. O Processo de examinar o “presumido” milagre deve abarcar dois aspectos: a) a presença de um feito (a cura) que os cientistas (os médicos) deverão atestar como um feito que vai mais além da ciência e b) a intercessão do Venerável na realização do feito que apontaram as testemunhas do caso.

b) Durante a segunda etapa a Congregação para a Causa dos Santos examina o milagre apresentado. Dois médicos peritos, designados pela Congregação, examinam se as condições do caso merecem um estudo detalhado. Seu parecer é discutido pela Consulta Médica da Congregação da Causa dos Santos (cinco médicos peritos). O fato extraordinário apresentado pela Consulta Médica é discutido pelo Congresso de Teólogos da Congregação para a Causa dos Santos. Oito teólogos estudam o nexo entre o fato indicado pela Consulta Médica e a intercessão atribuída ao Servo de Deus. Todos os antecedentes e os juízos da Consulta Médica e do Congresso de Teólogos são estudados e comunicados por um Cardeal (Cardeal “Orador”) aos demais integrantes da Congregação, reunidos em sessão. Então, em sessão solene dos Cardeais e Bispos da Congregação para a Causa dos Santos dão seu veredicto final sobre o “milagre”. Se o veredicto é positivo o Prefeito da Congregação ordena a preparação do Decreto correspondente para ser submetido à aprovação do Santo Padre.

c) Na terceira etapa com os antecedentes anteriores, o Santo Padre aprova o Decreto de Beatificação.

d) Na quarta etapa o Santo Padre determina a data da cerimônia litúrgica.

e) Na quinta etapa é a Cerimônia de Beatificação.

No caso de Carlo, o milagre reconhecido pela Santa Sé que ensejou sua beatificação foi o operado em um menino brasileiro. Sim, um jovem compatriota nosso!

O menino Matheus, de Campo Grande, Mato Grosso do Sul, sofria de uma rara doença congênita chamada “pâncreas anular”. O distúrbio fazia com que praticamente todo alimento que ele ingerisse fosse expelido pelo corpo na forma de vômito. Aos quatro anos de idade, em uma bela demonstração da sinceridade de fé de uma criança, pediu espontaneamente, em frente a uma relíquia de Carlo trazida pelo seu pároco, que pudesse parar de vomitar, o que aconteceu! Matheus foi curado da grave enfermidade no pâncreas em outubro de 2013.. Seus laudos médicos foram encaminhados para o Vaticano para a postulação da causa do jovem italiano. Tendo a Comissão Médica do Estado Papal reconhecido o milagre em novembro de 2019, o Vaticano pôde em seguida declarar Acutis beato, na esteira do processo de canonização que aqui demonstramos.

Matheus quis fotos em frente ao altar na sala. (Foto: Danielle Valentim)

Matheus, hoje por volta de seus 10 anos de idade, é um rapaz saudável graças à cura que atribui à Misericórdia Divina pela intercessão do servo Carlo Acutis.

Matheus segurando um retrato de Carlo Acutis. (Foto: Danielle Valentim)

 

4. SANTO

a) Já nesta fase, a primeira etapa é a aprovação de um segundo milagre.

b) Durante a segunda etapa a Congregação para a Causa dos Santos examina este segundo milagre apresentado. Requer-se que este segundo caso milagroso tenha sucedido em uma data posterior à Beatificação. Para examiná-lo a Congregação segue os mesmos passos do primeiro milagre.

c) Na terceira etapa o Santo Padre, com os antecedentes anteriores, aprova o Decreto de Canonização.

d) A quarta etapa é o Consistório Ordinário Público, convocado pelo Santo Padre, no qual informa a todos os Cardeais da Igreja e logo determina a data da Canonização.

e) A última etapa é a Cerimônia da Canonização. No ano de 2005, o Vaticano estabeleceu novas normas para cerimônias de beatificação. Em outubro de 2005, a Congregação para a Causa dos Santos deu a conhecer quatro disposições novas para as cerimônias de beatificação entre as quais, destaca sua celebração na diocese que tenha promovido a causa do novo Beato. As disposições são fruto do estudo das razões teológicas e das exigências pastorais sobre os ritos de beatificação e canonização aprovadas pelo Papa emérito Bento XVI. A primeira norma indica que enquanto o Papa presidirá os ritos de canonização, que atribui ao beato o culto por parte de toda a Igreja; os de beatificação – considerados sempre um ato pontifício – serão celebrados por um representante do Santo Padre, normalmente pelo Prefeito da Congregação para a Causa dos Santos. A segunda disposição estabelece que o rito de beatificação se celebrará na Diocese que promoveu a Causa do novo beato ou em outra localidade considerada idônea. Em terceiro lugar, se indica que por solicitude dos Bispos ou dos “autores” da causa, considerando o parecer da Secretaria de Estado, o mesmo rito de beatificação poderá ter lugar em Roma. Finalmente, de acordo com a quarta disposição, o mesmo rito se desenvolverá numa Celebração Eucarística, a menos que algumas razões litúrgicas especiais sugiram que tenha lugar durante a celebração da Palavra e da Liturgia das Horas.

 

Rezemos para que mais milagres atribuídos à intercessão do Beato Carlo Acutis sejam confirmados para que possamos, tão logo, anunciá-lo como santo, exemplo de discípulo de Cristo na terra enquanto Igreja Militante e colaborador das graças que não se esquece de seus irmãos militantes e padecentes enquanto Igreja Triunfante.

 

Fontes:

Irmã Maria Elisabeth da Trindade, OCD

https://www.correiobraziliense.com.br/brasil/2020/10/4879805-familia-de-campo-grande-celebra-beatificacao-de-carlo-acutis.html

https://www.campograndenews.com.br/lado-b/comportamento-23-08-2011-08/milagre-de-ms-aprovado-no-vaticano-matheus-hoje-tem-9-anos-e-muita-saude

https://www.midiamax.com.br/cotidiano/2020/mae-revela-historia-de-fe-e-milagre-em-campo-grande-que-vai-tornar-padroeiro-da-internet-beato

https://www.midiamax.com.br/cotidiano/2020/padre-de-campo-grande-trouxe-reliquia-que-curou-crianca-e-ajudou-acutis-a-se-tornar-santo

Formações

Doutores da Igreja

O que é ser doutor da igreja?

Doutor da Igreja é aquele cristão ou aquela cristã que se distinguiu por notório saber teológico em qualquer época da história. O conceito de Doutor da Igreja difere do de Padre da Igreja, pois Padre da Igreja é somente aquele que contribuiu para a reta formulação dos artigos da fé até o século VII no Ocidente e até o século VIII no Oriente.

Há Padres da Igreja que são Doutores. Assim os quatro maiores Padres latinos (S. Ambrósio, S. Agostinho, S. Jerônimo e S. Gregório Magno) e os quatro maiores Padres gregos (S. Atanásio, S. Basílio, S. Gregório de Nazianzo e S. João Crisóstomo).

Quem são?

Os Doutores da Igreja são homens e mulheres ilustres que, pela sua santidade, pela ortodoxia de sua fé, e principalmente pelo eminente saber teológico, atestado por escritos vários, foram honrados com tal título por desígnio da Igreja.

Os Doutores se assemelham aos Padres da Igreja, dos quais também diferem, como se vera a seguir.

Padres da Igreja são aqueles cristãos (Bispos, presbíteros, diáconos ou leigos) que contribuíram eficazmente para a reta formulação das verdades da fé (SS. Trindade, Encarnação do Verbo, Igreja, Sacramentos. ..) nos tempos dos grandes debates e heresias. O seu período se encerra em 604 (com a morte de S. Gregório Magno) no Ocidente e em 749 (com a morte de S. João Damasceno) no Oriente.

Para que alguém seja considerado Padre da Igreja, requer-se antiguidade (até os séculos VII/VIII), ao passo que isto não ocorre com um Doutor.

Para os Padres da Igreja, basta o reconhecimento concreto, não explicitado, da Igreja, ao passo que para os Doutores se requer uma proclamação explicita feita por um Papa ou por um Concílio.

Para os Padres, não se requer um saber extraordinário, ao passo que para um Doutor se exige um saber de grande vulto.

Por conseguinte, o que caracteriza um Padre da Igreja é principalmente a sua antiguidade; ao contrário, o Doutor se identifica precipuamente pelo seu saber notório. Isto, porém, não impede que haja Padres da Igreja que também são Doutores, como se verifica, por exemplo, no caso dos maiores Padres do Ocidente (S. Ambrósio, S. Agostinho, S. Jerônimo, S. Gregório Magno) e no dos quatro majo- res Padres do Oriente (S. Atanásio, S. Basílio, S. Gregório de Nazianzo e S. João Crisóstomo). São os oito grandes Doutores da Igreja.

Conheça as Doutoras da Igreja:

Stª. Catarina de Sena

Origem: Italia

Função: Religiosa

Ano de Falecimento: 1380

Principais Obras: “Diálogo: Cartas”

Catarina de Sena nasceu em 1347 e morreu aos 33 anos no dia 29 de abril de 1380. Considerada doutora da Igreja, ela foi responsável pela volta do Santo Padre para Roma, e sempre teve um grande amor pelos sacerdotes.

Stª. Teresa d'Ávila

Origem: Espanha

Função: Monja (Ordem dos Carmelitas Descalços)

Ano de Falecimento: 1582

Principais Obras: “Castelo Interior” ou “As Moradas”

Os escritos de Santa Teresa sublinham, sobretudo, o espírito de oração, a maneira de praticá-lo e os frutos que produz.

Como a santa escreveu precisamente na época em que estava dedicada à difícil tarefa de fundar conventos de carmelitas reformadas, suas obras, prescindindo de seu conteúdo e natureza, dão testemunho de seu vigor, laboriosidade e capacidade de recolhimento.

Escreveu o “Caminho de Perfeição” para dirigir a suas religiosas e o livro das “Fundações” para animá-las e edificá-las. Quanto ao “Castelo Interior”, pode-se considerar que escreveu para a instrução de todos os cristãos.

Stª. Teresa de Lisieux

Origem: França

Função: Monja (Ordem dos Carmelitas Descalços)

Ano de Falecimento: 1897

Principais Obras: Autobiografia

Santa Teresa viveu somente 24 anos. Mas, deixou um grande legado de amor para a Igreja, o qual se tornou muito conhecido com o passar do tempo.

Em 19 de outubro de 1997, São João Paulo II a proclamou doutora da Igreja. Na ocasião, disse: “Teresa do Menino Jesus e da Sagrada Face é a mais jovem dos ‘Doutores da Igreja’, mas seu ardente itinerário espiritual manifesta tal maturidade, e as intuições de fé expressas em seus escritos são tão vastas e profundas, que lhe merecem um lugar entre os grandes professores do espírito”.

Stª. Hildegarda de Bingen

Origem: Alemanha

Função: Monja (Ordem Beneditina)

Ano de Falecimento: 1179

Principais Obras: uma trilogia (LIBER SCIVIAS DOMINI, LIBER VITAE MERITORUM e LIBER DIVINORUM OPERUM)

A monja beneditina Hildegarda nasceu em 1098 e faleceu em 1179 no atual território germânico. Teve sua santidade  oficialmente reafirmada por Bento XVI.

No dia em que o Papa anunciou a intenção de proclamar os dois novos doutores da Igreja Católica, ele destacou a “marca intensa de fé” que estes santos deixaram, “em períodos e ambientes culturais bem diferentes”.

Hildegarda, disse o Papa, “assumiu o carisma beneditino no meio da cultura medieval, foi uma autêntica professora da teologia e estudou aprofundadamente a ciência natural e a música”.

A monja e fundadora de dois mosteiros escreveu livros de mística e teologia, textos de medicina e análises de fenômenos naturais.


Formações

Dúvidas frequentes sobre exorcismos

O que é um exorcismo?

Um exorcismo é um sacramental, uma forma de oração que a Igreja usa contra a atividade demoníaca frente a uma possessão (no caso de pessoas) ou infestação (no caso de locais, objetos ou animais).

 

Mas o que é um sacramental?

O catecismo nos ensina que são “os sinais sagrados instituídos pela Igreja, cujo objetivo é preparar os homens para receber o fruto dos sacramentos e santificar as diferentes circunstâncias da vida”. (Catecismo da Igreja Católica, 1667)

 

Qual a diferença de um sacramental para um sacramento propriamente dito?

A diferença reside no fato de que os sacramentais não conferem a graça do Espírito Santo à maneira dos sacramentos, mas, pela oração da Igreja, preparam para receber a graça e dispõem à cooperação com ela. Referem-se mais às circunstâncias variadas da vida cotidiana cristã e ao uso das coisas úteis à humanidade. São exemplos de sacramentais as diversas bênçãos de objetos (seja para uso litúrgico ou não) e de pessoas (como as bênçãos para certos ministérios da Igreja – leitores, acólitos, catequistas, etc.), além do exorcismo, de que trataremos aqui. (Catecismo da Igreja Católica, 1670 a 1672)

 

Por que a Igreja necessita de exorcismos?

Certas vezes, as pessoas necessitam de proteção especial contra os poderes demoníacos ou de resgate de seu poderio espiritual maligno. Nessas ocasiões, a Igreja ordena publicamente, com base em sua autoridade atribuída por Cristo, a proteção ou a liberação através da utilização do rito do exorcismo.

 

Existe base bíblica para o exorcismo?

O próprio Cristo expulsou demônios e confiou a seus apóstolos também essa missão. São diversas as passagens em que vemos isso, tais como Mateus 10, 8, Marcos 3, 14-15; 6,13; 16,17 e Lucas, 9,1; 10,17. Portanto, quando os padres realizam o rito de expulsão de demônios, não o fazem em nome próprio, mas em nome de Cristo, que lhes confiou esse poder.

 

 

Os exorcismos são essas coisas grandiosas somente realizadas extraordinariamente?

Não. De fato, uma forma simples de exorcismo é praticada durante a celebração do Batismo. Todavia, o exorcismo solene, também chamado de “grande exorcismo”, só pode ser praticado por um sacerdote exorcista indicado como tal pelo respectivo bispo. Em tais casos, a prudência é extremamente necessária, além da observação estrita das regras estabelecidas pela Igreja. O Código de Direito Canônico é claro, no cânon 1172, quando define que:

“Ninguém pode legitimamente exorcizar os possessos, a não ser com licença especial e expressa do Ordinário do lugar.

  • 2º Esta licença somente seja concedida pelo Ordinário do lugar a um presbítero dotado de piedade, ciência, prudência e integridade de vida.”

 

Sendo assim, diante de uma suspeita de atividade demoníaca, a Igreja já ordena a celebração de um exorcismo?

Também não. Lembremos que a Igreja deve sempre ser prudente em seu Ministério. Antes de ordenar a realização do rito, deve-se preceder um estudo de caso para que se constate que o comportamento aparentemente demoníaco de uma pessoa não se trata, de fato, de uma enfermidade psíquica. Nesses casos, a Igreja remete o paciente aos cuidados da ciência médica. Portanto, somente após um minucioso estudo médico, psicológico e psiquiátrico, é que a Igreja determina que se trata realmente da presença do maligno e não de mero acometimento de enfermidade psíquica ou congênere, sendo autorizado o sacerdote exorcista a ministrar o sacramental. (Catecismo da Igreja Católica, 1673)

O Padre Gabrielle Amorth, grande exorcista dos últimos anos, todavia, nos lembra que “somente através do próprio exorcismo é que podemos determinar com certeza se há, realmente, uma influência satânica. Todo fenômeno que encontramos, não importa quão estranho ou inexplicável, pode ter uma explicação natural. Mesmo quando estamos de frente a uma multiplicidade de fenômenos psiquiátricos e parapsicológicos, pode ser que não tenhamos dados suficientes para um diagnóstico. É somente através de um exorcismo propriamente dito que podemos ter certeza de que estamos lidando com influência satânica ou não”. [Tradução livre de trecho do livro Gabrielle Amorth – An Exorcist Tells His Story, págs. 27 e 28]

 

Quais símbolos rituais são usados nos exorcismos e o que simbolizam?

Além do uso dos Salmos e da Recitação do Evangelho e de preces exorcizantes, uma série de sacramentais é utilizada no Rito do Exorcismo Maior. Iniciando os trabalhos, a água é abençoada e aspergida a fim de rememorar a centralidade da nova vida no Batismo da pessoa afligida pelo demônio e a derrota última do inimigo através do trabalho salvífico de Cristo. A imposição das mãos, assim como o sopro na face da pessoa (exsuflação) pelo exorcista, reafirmam o poder do Espírito Santo em atividade na pessoa em razão de seu Batismo, confirmando-a como templo de Deus. Finalmente, a Cruz de Nosso Senhor é mostrada à pessoa afligida e o Sinal da Cruz é feito sobre ela, demonstrando o poder de Cristo sobre o demônio.

Mas, pela prática de exorcistas experientes, sabemos que outras coisas têm especial efeito durante o rito, dentre elas, proeminentemente, a invocação do nome da Santa Mãe de Deus, Maria, “o Terror do Inferno”, como nos lembra o Monsenhor Rubens Miraglia Zani. (20:21 de https://www.youtube.com/watch?v=5kpBa9r5TZQ)

 

 

Os leigos podem ajudar em exorcismos? Membros não ordenados podem estar presentes enquanto um exorcismo é realizado?

Sim. Inclusive o De Exorcismis et Supplicationibus Quibusdam, documento que contém o Rito de Exorcismo expressamente autorizado pela Igreja, recomenda justamente que o exorcista não exerça seu encargo sozinho. Apesar de algumas partes da oração serem exclusivas do sacerdote que toma a frente do Rito, outras podem ser ditas por seus assistentes, que podem ser, inclusive, leigos. Temos como exemplo de leigo fortemente envolvido no ministério do Exorcismo o americano Adam Blai, Mestre em Psicologia Clínica Adulta pela Penn Sate University, que, inclusive, atua não só na assistência de realização de exorcismos, como também na formação de exorcistas, sendo membro auxiliar da Associação Internacional de Exorcistas.

 

 

Aqueles fenômenos sobrenaturais que os possessos manifestam em filmes são verdadeiros?

Apesar de raros, a maioria dos exorcistas atesta que fenômenos como força sobre-humana, levitação, imitação das vozes de mortos, entre outros, por parte dos possessos, são, sim, possíveis. Todavia, não passam de mero estratagema demoníaco a fim de distrair os encarregados do exorcismo do seu ofício de oração, verdadeira arma contra a atividade demoníaca. São meras “pirotecnias”, como bem assevera o Monsenhor Zani.

 

O que torna uma pessoa mais suscetível à possessão demoníaca?

A prática exorcista nos mostra que uma relação íntima com o pecado, especialmente com aqueles contra o primeiro mandamento, acaba tornando uma pessoa mais propensa à atividade demoníaca extraordinária. Portanto, temos que a necromancia, as tentativas de adivinhação supersticiosa do futuro, as mais variadas práticas de ocultismo, o uso de tarot, ouija, a blasfêmia, etc. são as principais formas de abertura da alma para o maligno. Todavia, cabe-nos lembrar que todos estamos propensos à atividade demoníaca ordinária, qual seja a tentação, e que, apesar de mais comum, é o meio pelo qual as almas mais se perdem.

 

Referências e maiores informações:

http://www.usccb.org/prayer-and-worship/sacraments-and-sacramentals/sacramentals-blessings/exorcism.cfm

http://www.religiousdemonology.com/

 

Formações

Em que está baseada a nossa fé? Veja o…

“Ide por todo mundo e pregai o Evangelho a toda criatura. Quem crer e for batizado será salvo, mas quem não crer será condenado” (Mc 16, 15s). Eis aí a missão dada por Nosso Senhor Jesus Cristo a todo católico, e tão bem desempenhada pelos apóstolos, cujo exemplo deve ser um farol a nos guiar.

O significado da palavra apóstolo, de origem grega, já nos auxilia a compreendê-lo: aquele que é enviado, mensageiro ou embaixador.

No início da vida pública de Jesus, após o período quaresmal no deserto, Ele se dirige a Galileia, e ao longo do caminho, vai chamando os primeiros discípulos (Mc 1, 16-20), o que já demonstra o sentido comunitário de sua missão, pois sem comunidade, não existe reino.

Após uma longa noite de oração, Nosso Senhor elege doze dentre esses discípulos, os quais ficaram conhecidos como apóstolos, liderados por São Pedro (Lc 6, 12s e Mt 10, 1-15). O número 12 possui um valor bastante simbólico, pois representa a totalidade das tribos de Israel, corroborando a universalidade da Igreja de Cristo, mãe de todos os povos.

A universalidade do Evangelho, da Boa-Nova, da mensagem salvífica de Jesus é confirmada no enredo do livro dos Atos dos Apóstolos ao mostrar que tal mensagem também visava aos gentios (os não judeus), isto é, na expansão da mensagem cristã.

A missão de Atos está declarada no mandato que Cristo deu aos seus discípulos: “Sereis minhas testemunhas em Jerusalém, em toda Judeia e Samaria, e até os confins do mundo” (At 1, 8).

No entanto, a fim de bem cumprir essa missão, precisamos saber o que devemos testemunhar. Conforme o livro bíblico, “nossa fé se baseia na ressureição de Jesus e não diretamente em suas palavras, em seus milagres, nem sequer em sua morte na Cruz. Os judeus ouviram todas as suas pregações, parábolas e milagres e não se converteram. Viram o milagre espantoso da ressureição de Lázaro. Converteram-se? Não! Ao contrário, decidiram matá-lo. ‘Esse homem multiplica os milagres’ (Jo 11,47). Vamos matá-lo! ‘Se deixarmos viver, todos acabarão acreditando nele’. A fé também não se baseia na cruz de Jesus. Quem foi que assistiu à sua crucificação? Os soldados e os judeus. Pediram: ‘caia sobre nós o seu sangue’ (Mt 27,25). Caiu. Converteram-se? Nossa fé baseia-se sobre a ressureição de Jesus. Foi só na ressureição que os apóstolos perceberam a divindade de Jesus (Jo 20,9). Os apóstolos são testemunhas da ressureição” (Bíblia Sagrada – Edição de Estudos. Editora Ave-Maria: 7ª Ed. Introdução aos Atos dos Apóstolos. pág. 1.740).

Ser apóstolo é ser testemunha da ressureição! Tal testemunho “tem de ser consciente, tem de brotar de um coração livre e feito dócil às mãos divinas. Chamados à nova vida no Espírito, os discípulos de Jesus devem professá-lo como o Santo de Deus porque, a Ele orando e se entregando, d´Ele se tornam verdadeiros amigos. Devem confessar Cristo, porque vivem com Cristo; devem pregar as palavras de Cristo, porque as guardam e põem em prática antes de tudo. É isto que Jesus começa a proporcionar ao incipiente colégio apostólico: aqueles poucos homens vão-se tornando seus Apóstolos à medida em que se vão tornando também seus amigos. Seja assim o nosso apostolado: viver com Cristo pela oração, fazê-lo parte concreta de nossas vidas pela frequência aos sacramentos, levá-lo a todos os que Ele mesmo nos confiou: ‘Segui-me e eu farei de vós pescadores de homens’ (Mc 1, 17).” (Trecho extraído do sítio eletrônico: https://padrepauloricardo.org/episodios/alma-de-apostolo)

Tomemos, portanto, o exemplo de São Paulo que reconhece o enorme sofrimento em ser testemunha: “É necessário entrarmos no Reino de Deus por meio de muitas tribulações” (At 14,22). No entanto, vivificado pelo Espírito Santo, mostra que o preço pelas tribulações vale a pena: “Ai de mim, se eu não anunciar o Evangelho!” (1 Cor 9, 16)

Formações

Tempo da Quaresma

A Quarta-feira de Cinzas nos introduz precisamente no mistério quaresmal, que deve ser tempo de uma prática mais intensa e piedosa das boas obras, com um coração sincero e penitente que nos conduz à nova vida. .

👉🏻Mas, qual o motivo de recebermos as cinzas no dia de hoje?
A finalidade principal desse sacramental é nos conduzir ao arrependimento dos pecados, demonstrando que viemos do pó, viemos da cinza e voltaremos para lá, mas antes disso, precisamos estar com os nossos corações preparados, com a nossa alma preparada para Deus. Assim o Tempo Quaresmal, nos lembra de que não podemos nos apegar a esta vida, achando que a felicidade plena possa ser construída aqui. Agora é tempo favorável!

A Quarta-feira de Cinzas volta o nosso olhar para a Quaresma, exatamente para que busquemos a conversão, busquemos o Senhor. A liturgia do tempo quaresmal mostra-nos a caridade com os irmãos, a oração e o jejum como o princípios da Quaresma. É tempo para partir, para orar, para amar e perdoar!

 

Pilares da Quaresma

Em sua primeira carta, São João Evangelista discorre acerca de três fraquezas mundanas que afligem o ser humano. In verbis: “Porque tudo o que há no mundo – a concupiscência da carne, a concupiscência dos olhos e a soberba da vida – não procede do Pai, mas do mundo”. (1Jo 2, 16). Nesta mesma linha, no Evangelho que é foi lido no Primeiro Domingo da Quaresma (Lc 4,1-13), Jesus é tentado por Satanás por três vezes: na primeira delas, Satanás tenta apelar para a concupiscência da carne, utilizando da fome de Jesus, que estava passando 40 dias no deserto; na segunda, ele tenta utilizar a concupiscência dos olhos, mostrando a Jesus todos os reinos do mundo; por fim, na terceira tentação, o maligno pretende usar a soberba da vida como argumento para tentar que Jesus se revele-se em toda a sua Glória na cidade de Jerusalém, capital do povo judeu. Infrutíferas as três tentações, o Diabo se retira, pois Jesus não era atingido por esses três males mundanos.

Por outro lado, nós, que nascemos com a marca do pecado original, somos atingidos por esses três males. Por esta razão, a Igreja nos propõe 3 remédios durante o tempo da quaresma: oração, caridade e penitência. Cada um deles visa combater uma dessas três fraquezas: a caridade serve para (tentar) curar a concupiscência dos olhos; a penitência objetiva a cura da concupiscência da carne; e, por fim, a oração visa combater a soberba da vida. Estes três remédios constituem os pilares da quaresma: é o próprio Jesus quem nos revela isso, através do Evangelho, em seu trecho que foi lido na quarta-feira de cinzas (Mt 6,1-6.16-18), que marca o início do tempo da Quaresma.

“Sacrifício agradável a Deus é um espírito penitente; Deus não despreza um coração arrependido e humilhado” (cf. Salmo 50, 19).

Jejum não é um regime ou uma dieta e a penitência não é apenas uma simples prática exterior, são exercícios de aprofundamento e crescimento espiritual. São formas de nos unirmos a Deus na oração e na penitência de forma mais genuína. .

👉Essas práticas devem ser formas de superarmos o ressentimento, as mágoas, e sobretudo cuidarmos do outro que precisa de nós, pois a partir do momento que nos enxergamos dependentes de Deus, percebemos a necessidade sair de nós e ir ao encontro do outro, a necessidade de nos esvaziar de nós mesmos, de aprender a controlar a nossa carne, de deixar para trás sentimentos ruins, nossas vontades e desejos meramente humanos para buscar as coisas do Alto, nos configurar em Cristo! .

É preciso entender a necessidade de sair do comodismo, pois não existe caminho de santidade fácil e prazeroso, é essencial que possamos nos reconhecer como Filho de Deus, somos filhos da Luz e não das trevas e para alcançar essa verdade Evangélica é necessário combater o pecado, combater a nossa natureza humana com todas as nossas forças com o objetivo de purificar a nossa alma. 💜É tempo de conversão! Vamos juntos?

Mensagem do Papa Francisco para a Quaresma 2019

Todos os anos, por meio da Mãe Igreja, Deus «concede aos seus fiéis a graça de se prepararem, na alegria do coração purificado, para celebrar as festas pascais, a fim de que (…), participando nos mistérios da renovação cristã, alcancem a plenitude da filiação divina» (Prefácio I da Quaresma). Assim, de Páscoa em Páscoa, podemos caminhar para a realização da salvação que já recebemos, graças ao mistério pascal de Cristo: «De facto, foi na esperança que fomos salvos» (Rm 8, 24). Este mistério de salvação, já operante em nós durante a vida terrena, é um processo dinâmico que abrange também a história e toda a criação. São Paulo chega a dizer: «Até a criação se encontra em expetativa ansiosa, aguardando a revelação dos filhos de Deus» (Rm 8, 19). Nesta perspetiva, gostaria de oferecer algumas propostas de reflexão, que acompanhem o nosso caminho de conversão na próxima Quaresma.

1. A redenção da criação

A celebração do Tríduo Pascal da paixão, morte e ressurreição de Cristo, ponto culminante do Ano Litúrgico, sempre nos chama a viver um itinerário de preparação, cientes de que tornar-nos semelhantes a Cristo (cf. Rm 8, 29) é um dom inestimável da misericórdia de Deus.

Se o homem vive como filho de Deus, se vive como pessoa redimida, que se deixa guiar pelo Espírito Santo (cf. Rm 8, 14), e sabe reconhecer e praticar a lei de Deus, a começar pela lei gravada no seu coração e na natureza, beneficia também a criação, cooperando para a sua redenção. Por isso, a criação – diz São Paulo – deseja de modo intensíssimo que se manifestem os filhos de Deus, isto é, que a vida daqueles que gozam da graça do mistério pascal de Jesus se cubra plenamente dos seus frutos, destinados a alcançar o seu completo amadurecimento na redenção do próprio corpo humano. Quando a caridade de Cristo transfigura a vida dos santos – espírito, alma e corpo –, estes rendem louvor a Deus e, com a oração, a contemplação e a arte, envolvem nisto também as criaturas, como demonstra admiravelmente o «Cântico do irmão sol», de São Francisco de Assis (cf. Encíclica Laudato si’, 87). Neste mundo, porém, a harmonia gerada pela redenção continua ainda – e sempre estará – ameaçada pela força negativa do pecado e da morte.

2. A força destruidora do pecado

Com efeito, quando não vivemos como filhos de Deus, muitas vezes adotamos comportamentos destruidores do próximo e das outras criaturas – mas também de nós próprios –, considerando, de forma mais ou menos consciente, que podemos usá-los como bem nos apraz. Então sobrepõe-se a intemperança, levando a um estilo de vida que viola os limites que a nossa condição humana e a natureza nos pedem para respeitar, seguindo aqueles desejos incontrolados que, no livro da Sabedoria, se atribuem aos ímpios, ou seja, a quantos não têm Deus como ponto de referência das suas ações, nem uma esperança para o futuro (cf. 2, 1-11). Se não estivermos voltados continuamente para a Páscoa, para o horizonte da Ressurreição, é claro que acaba por se impor a lógica do tudo e imediatamente, do possuir cada vez mais.

Como sabemos, a causa de todo o mal é o pecado, que, desde a sua aparição no meio dos homens, interrompeu a comunhão com Deus, com os outros e com a criação, à qual nos encontramos ligados antes de mais nada através do nosso corpo. Rompendo-se a comunhão com Deus, acabou por falir também a relação harmoniosa dos seres humanos com o meio ambiente, onde estão chamados a viver, a ponto de o jardim se transformar num deserto (cf. Gn 3, 17-18). Trata-se daquele pecado que leva o homem a considerar-se como deus da criação, a sentir-se o seu senhor absoluto e a usá-la, não para o fim querido pelo Criador, mas para interesse próprio em detrimento das criaturas e dos outros.

Quando se abandona a lei de Deus, a lei do amor, acaba por se afirmar a lei do mais forte sobre o mais fraco. O pecado – que habita no coração do homem (cf. Mc 7, 20-23), manifestando-se como avidez, ambição desmedida de bem-estar, desinteresse pelo bem dos outros e muitas vezes também do próprio – leva à exploração da criação (pessoas e meio ambiente), movidos por aquela ganância insaciável que considera todo o desejo um direito e que, mais cedo ou mais tarde, acabará por destruir inclusive quem está dominado por ela.

3. A força sanadora do arrependimento e do perdão

Por isso, a criação tem impelente necessidade que se revelem os filhos de Deus, aqueles que se tornaram «nova criação»: «Se alguém está em Cristo, é uma nova criação. O que era antigo passou; eis que surgiram coisas novas» (2 Cor 5, 17). Com efeito, com a sua manifestação, a própria criação pode também «fazer páscoa»: abrir-se para o novo céu e a nova terra (cf. Ap 21, 1). E o caminho rumo à Páscoa chama-nos precisamente a restaurar a nossa fisionomia e o nosso coração de cristãos, através do arrependimento, a conversão e o perdão, para podermos viver toda a riqueza da graça do mistério pascal.

Esta «impaciência», esta expetativa da criação ver-se-á satisfeita quando se manifestarem os filhos de Deus, isto é, quando os cristãos e todos os homens entrarem decididamente neste «parto» que é a conversão. Juntamente connosco, toda a criação é chamada a sair «da escravidão da corrupção, para alcançar a liberdade na glória dos filhos de Deus» (Rm 8, 21). A Quaresma é sinal sacramental desta conversão. Ela chama os cristãos a encarnarem, de forma mais intensa e concreta, o mistério pascal na sua vida pessoal, familiar e social, particularmente através do jejum, da oração e da esmola.

Jejuar, isto é, aprender a modificar a nossa atitude para com os outros e as criaturas: passar da tentação de «devorar» tudo para satisfazer a nossa voracidade, à capacidade de sofrer por amor, que pode preencher o vazio do nosso coração. Orar, para saber renunciar à idolatria e à autossuficiência do nosso eu, e nos declararmos necessitados do Senhor e da sua misericórdia. Dar esmola, para sair da insensatez de viver e acumular tudo para nós mesmos, com a ilusão de assegurarmos um futuro que não nos pertence. E, assim, reencontrar a alegria do projeto que Deus colocou na criação e no nosso coração: o projeto de amá-Lo a Ele, aos nossos irmãos e ao mundo inteiro, encontrando neste amor a verdadeira felicidade.

Queridos irmãos e irmãs, a «quaresma» do Filho de Deus consistiu em entrar no deserto da criação para fazê-la voltar a ser aquele jardim da comunhão com Deus que era antes do pecado das origens (cf. Mc 1,12-13; Is 51,3). Que a nossa Quaresma seja percorrer o mesmo caminho, para levar a esperança de Cristo também à criação, que «será libertada da escravidão da corrupção, para alcançar a liberdade na glória dos filhos de Deus» (Rm 8, 21). Não deixemos que passe em vão este tempo favorável! Peçamos a Deus que nos ajude a realizar um caminho de verdadeira conversão. Abandonemos o egoísmo, o olhar fixo em nós mesmos, e voltemo-nos para a Páscoa de Jesus; façamo-nos próximo dos irmãos e irmãs em dificuldade, partilhando com eles os nossos bens espirituais e materiais. Assim, acolhendo na nossa vida concreta a vitória de Cristo sobre o pecado e a morte, atrairemos também sobre a criação a sua força transformadora.