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Papa convoca o “Ano de São José”

Para celebrar os 150 anos da declaração do Esposo de Maria como Padroeiro da Igreja Católica, o Papa Francisco convoca o “Ano de São José” com a Carta apostólica “Patris corde – Com coração de Pai”.
Pai amado, pai na ternura, na obediência e no acolhimento; pai com coragem criativa, trabalhador, sempre na sombra: com estas palavras, o Papa Francisco descreve São José. E o faz na Carta apostólica “Patris corde – Com coração de Pai”, publicada hoje por ocasião dos 150 anos da declaração do Esposo de Maria como Padroeiro da Igreja Católica.
St. Joseph, 'Terror of Demons', is a Powerful Man Indeed| National Catholic  Register

Protagonismo sem paralelo

A Carta apostólica traz os sinais da pandemia da Covid-19, que – escreve Francisco – nos fez compreender a importância das pessoas comuns, aquelas que, distantes dos holofotes, exercitam todos os dias paciência e infundem esperança, semeando corresponsabilidade. Justamente como São José, “o homem que passa desapercebido, o homem da presença cotidiana discreta e escondida”.

E mesmo assim, o seu é “um protagonismo sem paralelo na história da salvação”. Com efeito, São José expressou concretamente a sua paternidade ao ter convertido a sua vocação humana “na oblação sobre-humana de si mesmo ao serviço do Messias”. E por isto ele “foi sempre muito amado pelo povo cristão” (1).

Nele, “Jesus viu a ternura de Deus”, que “nos faz aceitar a nossa fraqueza”, através da qual se realiza a maior parte dos desígnios divinos. Deus, de fato, “não nos condena, mas nos acolhe, nos abraça, nos ampara e nos perdoa” (2). José é pai também na obediência a Deus: com o seu ‘fiat’, salva Maria e Jesus e ensina a seu Filho a “fazer a vontade do Pai”, cooperando “ao grande mistério da Redenção” (3).

Exemplo para os homens de hoje

Ao mesmo tempo, José é “pai no acolhimento”, porque “acolhe Maria sem colocar condições prévias”, um gesto importante ainda hoje – afirma Francisco – “neste mundo onde é patente a violência psicológica, verbal e física contra a mulher”. Mas o Esposo de Maria é também aquele que, confiante no Senhor, acolhe na sua vida os acontecimentos que não compreende com um protagonismo “corajoso e forte”, que deriva “da fortaleza que nos vem do Espírito Santo”.

Através de São José, é como se Deus nos repetisse: “Não tenhais medo!”, porque “a fé dá significado a todos os acontecimentos, sejam eles felizes ou tristes”. O acolhimento praticado pelo pai de Jesus “convida-nos a receber os outros, sem exclusões, tal como são”, com “uma predileção especial pelos mais frágeis” (4).

“Patris corde” evidencia, ainda, “a coragem criativa” de São José, “o qual sabe transformar um problema numa oportunidade, antepondo sempre a sua confiança na Providência”. Ele enfrenta os “problemas concretos” da sua Família, exatamente como fazem as outras famílias do mundo, em especial aquelas migrantes. Protetor de Jesus e de Maria, José “não pode deixar de ser o Guardião da Igreja”, da sua maternidade e do Corpo de Cristo: todo necessitado é “o Menino” que José continua a guardar e de quem se pode aprender a “amar a Igreja e os pobres i” (5).

A dignidade do trabalho

Honesto carpinteiro, o Esposo de Maria nos ensina também “o valor, a dignidade e a alegria” de “comer o pão fruto do próprio trabalho”. Esta acepção do pai de Jesus oferece ao Papa a ocasião para lançar um apelo a favor do trabalho, que se tornou uma  “urgente questão social” até mesmo nos países com certo nível de bem-estar.

“É necessário tomar renovada consciência do significado do trabalho que dignifica”, escreve Francisco, que “torna-se participação na própria obra da salvação” e “oportunidade de realização” para si mesmos e para a própria família, “núcleo originário da sociedade”. Eis então a exortação que o Pontífice faz a todos para “redescobrir o valor, a importância e a necessidade do trabalho”, para “dar origem a uma nova «normalidade», em que ninguém seja excluído”. Em especial, diante do agravar-se do desemprego por causa da pandemia da Covid-19, o Papa pede a todos que se empenhem para que se possa dizer: ”Nenhum jovem, nenhuma pessoa, nenhuma família sem trabalho!” (6).

“Não se nasce pai, torna-se tal”

“Não se nasce pai, torna-se tal”, afirma ainda Francisco, porque “se cuida responsavelmente” de um filho assumindo a responsabilidade pela sua vida. Infelizmente, na sociedade atual, “muitas vezes os filhos parecem ser órfãos de pai” que sejam capazes de “introduzir o filho na experiência da vida”, sem  prendê-lo “nem subjugá-lo”, mas tornando-o “capaz de opções, de liberdade, de partir”.

Neste sentido, José recebeu o apelativo de “castíssimo”, que é “o contrário da posse”: ele, com efeito, “soube amar de maneira extraordinariamente livre”, “soube descentralizar-se” para colocar no centro da sua vida Jesus e Maria. A sua felicidade está no “dom de si mesmo”: nunca frustrado e sempre confiante, José permanece em silêncio, sem lamentações, mas realizando “gestos concretos de confiança”. A sua figura, portanto, é exemplar, evidencia o Papa, num mundo que “precisa de pais e rejeita os dominadores”, rejeita quem confunde “autoridade com autoritarismo, serviço com servilismo, confronto com opressão, caridade com assistencialismo, força com destruição”.

Na décima nota, “Patris corde” revela também um hábito da vida de Francisco: todos os dias, o Pontífice reza uma oração ao Esposo de Maria “tirada dum livro francês de devoções, do século XIX, da Congregação das Religiosas de Jesus e Maria”. Trata-se de uma oração que “expressa devoção e confiança” a São José, mas também “certo desafio”, explica o Papa, porque se conclui com estas palavras: “Que não se diga que eu Vos invoquei em vão, e dado que tudo podeis junto de Jesus e Maria, mostrai-me que a vossa bondade é tão grande como o vosso poder”. A Carta apostólica “Patris corde” é acompanhada da publicação do Decreto da Penitenciaria Apostólica, que anuncia o “Ano de São José” especial convocado pelo Papa e a relativa concessão do “dom de Indulgências especiais”.

 

Fonte: Vatican News

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Conheça melhor o “Canto Gregoriano”

História do Canto Gregoriano: origem e relação com São Gregório Magno

“A expressão ‘Canto Gregoriano’ tem um significado além da simples referência ao ‘gênero’ musical praticado nos mosteiros pelo mundo e entoado por seus monges. A priori devemos ter em mente que ela diz respeito e está intimamente ligada à forma como as comunidades cristãs primitivas oravam, meditavam e escutavam da Palavra de Deus. Em suma, o Canto Gregoriano é ORAÇÃO”.

Fruto de pesquisa que traduz uma riqueza histórica, a elaboração de conteúdo com muitos detalhes e avaliações precisas do maestro do Coral Diocesano de Santo André, Diego Muniz*, a série História do Canto Gregoriano abordará neste primeiro capítulo, as origens e o surgimento deste gênero de música vocal, bem como a sua relação com o Papa São Gregório.

Papa e Doutor da Igreja, São Gregório Magno é celebrado pela Igreja Católica em 3 de setembro. Nascido em Roma no ano 540, veio a falecer em 604. Deixou um grande legado de obras, devido a sua inteligência, sabedoria e caridade, como por exemplo, a instituição do celibato, a introdução do Pai Nosso na Missa e o tradicional canto gregoriano, que será tema de estudo e aprofundamento histórico nesta série de três capítulos.

Origem do Canto Gregoriano

Antes de falar sobre a relação do Canto Gregoriano com São Gregório Magno, é preciso fazer um profundo estudo sobre a sua origem. De acordo com o maestro diocesano, ainda hoje não é possível precisar categoricamente sobre onde e quando surgiu o Canto Gregoriano.

“Entretanto, antes de realizarmos qualquer inferência sobre o tema, devemos partir da premissa que a expressão “Canto Gregoriano” tem um significado além da simples referência ao “gênero” musical praticado nos mosteiros pelo mundo e entoado por seus monges. A priori devemos ter em mente que ela diz respeito e está intimamente ligada à forma como as comunidades cristãs primitivas oravam, meditavam e escutavam da Palavra de Deus. Em suma, o Canto Gregoriano é ORAÇÃO“, explica.

Diego prossegue citando o argumento do Cônego ratisbonense Pedro Griesbacher, compreendendo que o início da liturgia católica tem início na Santa Ceia quando, após partir o pão e entregar o vinho a seus discípulos e, tendo Jesus cantado um Hino antes de partir para o Monte das Oliveiras, presume-se que este Hino entoado por Ele se tratava do que se chama no judaísmo de Hallel, isto é, Salmos (Sl. 113-118) utilizados para louvar e agradecer a Deus em festividades daquela religião.

“Partindo destas afirmações, podemos imaginar que possam existir semelhanças entre a forma que Jesus cantou na Santa Ceia e a forma que se cantam as salmodias nos tempos atuais uma vez que, juntamente com a entrada do Antigo Testamento na liturgia cristã, o modo de cantar judaico também tenha sido inserido na mesma. Em uma conhecida passagem da Carta de Paulo aos Efésios, é nítido o incentivo do Apóstolo ao canto dos cristãos primitivos quando diz: “Não vos embriagueis com vinho -pois isto leva ao descontrole-, mas enchei-vos do Espírito: entoais juntos salmos, hinos e cânticos espirituais; cantai e salmodiai ao Senhor, de todo o coração;” (Ef. 5, 18-19).

O Cristianismo e as liturgias

Diego aprofunda ainda mais o tema, ao destacar que tendo o Cristianismo mantido a cantilação dos Salmos e o Canto Gregoriano tendo sido parte integrante da liturgia desde o século IV (haja vista que o Credo data do I Concílio de Nicéia no ano de 325), este teve a influência da cultura e da língua grega no início do cristianismo (uma vez que os gregos gozavam de superioridade no que se referia às artes e à matemática em comparação aos romanos da época) e viveu e acompanhou o florescimento da liturgia na Igreja que em seus primórdios definiu uma forma estabelecida e convencionada de culto em oposição aos diferentes ritos que existiam à época do imperador Constantino.

“Esta convenção chegou à sua forma completa somente por volta do ano 1000 e a primeira edição oficial do Missal Romano apenas cerca de 600 anos depois no século XVI”, complementa.

Para fins históricos, o Prof. Dr. Clayton Dias diz que “junto do florescimento de diversas liturgias, muitas delas ligadas a lugares específicos, florescem também cantos próprios e que acompanhavam tais liturgias tais como o galicano, moçarábico, aquilense, beneventano, ambosiano e o canto romano antigo. Do entrelaçamento do canto romano antigo com o canto galicano (romano-franco) surgiu o que seria então mais conhecido como Gregoriano.

Os demais foram “suplantados” à medida em que, por imposição de Carlos Magno (à época imperador do Sacro Império Romano) em vista da unificação política, liturgia e canto se impunham por todo o Império.

Associação a São Gregório Magno

Contextualizada toda a pesquisa e conteúdo apresentado, chegamos ao ponto mencionado no início deste capítulo, ou seja, de elucidar a relação do Canto Gregoriano com o santo celebrado em 3 de setembro.

O maestro Diego Muniz constata que o Canto Gregoriano viveu diversas fases no que se refere à sua estética e, para manter suas características intrínsecas ao texto e favoráveis à oração, necessitou em alguns momentos de homens inspirados a reformá-lo.

“O primeiro que podemos denominar grande reformador foi Santo Ambrósio que, além de fazer a mediação entre o Ocidente e o Oriente compôs um grande número de melodias (utilizadas hoje no Rito Ambrosiano, característico da Arquidiocese de Milão). O segundo nome importante na história foi o Papa Gregório Magno, principal reformador por ter selecionado e compilado textos manuscritos do século VIII e IX que do século X em diante receberam notação musical e que, estando dispostos na ordem do calendário litúrgico gregoriano do século VIII, passaram a se chamar Canto Gregoriano”, salienta.

Além desse fato, há uma conhecida lenda que permeia a relação de São Gregório Magno com este repertório. A mesma diz que pelo fato de São Gregório ter promovido as reformas no culto, teria ele recebido do Espírito Santo em forma de pomba a inspiração para compor as melodias a partir daí chamadas de gregorianas, como afirma Diego.

“Esta lenda está ilustrada através de uma imagem do Antifonário de Hartker do Mosteiro Beneditino de Saint Gallen na Suíça onde vemos um escriba sentado à frente do Papa Gregório (este paramentado e posicionado em sua cátedra), escrevendo as melodias cantadas por ele. No ombro direito do Papa há a pomba do Espírito Santo, com o bico bem próximo ao seu ouvido sugerindo melodias”, finaliza.

Por Fábio Sales

* Diego Muniz é mestrando em música pela USP, bacharel em regência pela UNESP, tendo regido, entre outros, a Sinfônica Jovem do Estado de São Paulo, Pro Coro do Canadá e Vancouver Chamber Choir.

 

Fonte: https://www.vaticannews.va/pt/igreja/news/2020-09/historia-canto-gregoriano-origem-relacao-sao-gregorio-magno.html

 

Vamos apreciar juntos mais um pouco de Canto Gregoriano:

Rorate Cæli – Canto gregoriano para o Advento

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O Advento: tempo de conversão

O Advento é a preparação/espera para celebrar o Natal. Nosso Salvador Se fez um pequeno menino para nos redimir, para manifestar a doçura da presença de “Deus conosco” (Mt 1,23). Ao mesmo tempo, é preparação/espera para a segunda vinda de Nosso Senhor.

Advento é tempo de penitência

O Ano Litúrgico gira em torno de duas grandes celebrações: Natal e Páscoa. Mas, para que estes dois grandes acontecimentos sejam celebrados de uma maneira digna, genuinamente cristã, existe um período de preparação: a quaresma para a Páscoa e o advento para o Natal. O advento, por incrível que pareça, é um tempo penitencial (a cor da estola é roxa). É claro que é menos penitencial do que a quaresma, mas é penitencial.

O que seria essa preparação para o Natal? Pense o seguinte: como o Natal deveria ser vivido e celebrado? Com que espírito eu deveria acordar e viver no dia 25 de dezembro? Natal lembra a vitória da luz: por causa de Cristo a nossa vida pode ser uma vida iluminada e iluminadora. Então, se o Natal lembra a luz (veja como aumenta a iluminação nas nossas cidades), a melhor preparação para o mesmo exige um retirar de dentro de nós tudo o que não é luz.

Advento é tempo de arrumar a casa interior, arrumar a nossa vida em família, reorientar nossos projetos, readquirir confiança em Deus, na vida, nas pessoas e em si mesmo. Por isso, o advento inclui uma necessidade de intensificação da vida cristã: novena de natal, perdão dos pecados, mais oração e leitura bíblica, mais fraternidade e solidariedade.

As Celebrações do Advento

Advento deve ser celebrado com sobriedade e com discreta alegria. Não se canta o Glória, para que na festa do Natal, nos unamos aos anjos e entoemos este hino como algo novo, dando glória a Deus pela salvação que realiza no meio de nós. Pelo mesmo motivo, o diretório litúrgico da CNBB orienta que flores e instrumentos sejam usados com moderação, para que não seja antecipada a plena alegria do Natal de Jesus. 

As vestes litúrgicas (casula, estola, etc.) são de cor roxa, bem como o pano que recobre o ambão, como sinal de conversão em preparação para a festa do Natal, com exceção do terceiro domingo do Advento, Domingo da Alegria ou Domingo Gaudete, cuja cor tradicionalmente usada é a rósea, em substituição ao roxo, para revelar a alegria da vinda do Libertador, que está bem próxima e se refere à segunda leitura que diz: “Alegrai-vos sempre no Senhor. Repito, alegrai-vos, pois o Senhor está perto”. (Fl 4, 4). 

Vários símbolos do Advento nos ajudam a mergulhar no mistério da encarnação e a vivenciar melhor este tempo:

1. A coroa pode ser pendurada no presbitério, colocada no canto do altar ou em qualquer outro lugar visível.
2. A luz nascente indica a proximidade do Natal, quando Cristo, Salvador e Luz do mundo, brilhará para toda a humanidade, e representa também nossa fé e nossa alegria pelo Deus que vem.
3. O círculo, sem começo e sem fim, simboliza a eternidade; os ramos sempre verdes são sinais de esperança e da vida nova que Cristo trará e que não passa.
4. A fita vermelha que enfeita a coroa representa o amor de Deus que nos envolve e a manifestação do nosso amor, que espera ansioso o nascimento do Filho de Deus.
5. A cor roxa das velas nos convida a purificar nossos corações em preparação para acolher o Cristo que vem.
6. A vela de cor rosa nos chama à alegria, pois o Senhor está próximo.
7. Os detalhes dourados prefiguram a glória do Reino que virá.

Nas duas primeiras semanas do Advento, a liturgia expressa o aspecto escatológico do Advento, colocando nos corações a alegre expectativa pela segunda vinda de Cristo. Nas semanas seguintes, a Igreja nos prepara diretamente para a celebração do Natal do Senhor. 

O ato de acender as velas pode ser colocado no início da celebração eucarística, no início da liturgia da palavra ou em qualquer outro momento, desde que se harmonize com a celebração. Em qualquer caso, deve ser um momento que celebra o caminho de espera do Senhor. O acender das velas deve ser acompanhado de uma oração própria e de um canto, o mesmo para os quatro domingos.

No primeiro domingo deste tempo litúrgico, acende-se a primeira vela, que simboliza o perdão a Adão e a Eva.

No segundo domingo, a segunda vela acesa representa a  dos patriarcas. Eles creram no dom da terra prometida.

terceira vela simboliza a alegria do rei David, que celebrou a aliança e sua continuidade.

última vela, acesa no último domingo, ou seja, que antecede o Natal, representa o ensinamento dos profetas que anunciaram um reino de paz e justiça.

Fontes: https://pss.org.br/2013/12/06/advento-e-tempo-de-penitencia/

https://www.a12.com/redacaoa12/liturgia/a-celebracao-do-advento

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A necessidade da boa Confissão

Que é a confissão? Ela é um sacramento?

O Catecismo da Igreja nos ensina, no capítulo que trata dos “Sacramentos de Cura”, que:

1422. «Aqueles que se aproximam do sacramento da Penitência obtêm da misericórdia de Deus o perdão da ofensa a Ele feita e, ao mesmo tempo, são reconciliados com a Igreja, que tinham ferido com o seu pecado, a qual, pela caridade, exemplo e oração, trabalha pela sua conversão» (3).

Como se chama este sacramento?

É chamado sacramento da conversãoporque realiza sacramentalmente o apelo de Jesus à conversão (4) e o esforço de regressar à casa do Pai (5) da qual o pecador se afastou pelo pecado.

É chamado sacramento da Penitênciaporque consagra uma caminhada pessoal e eclesial de conversão, de arrependimento e de satisfação por parte do cristão pecador.

É chamado sacramento da confissãoporque o reconhecimento, a confissão dos pecados perante o sacerdote é um elemento essencial deste sacramento. Num sentido profundo, este sacramento é também uma «confissão», reconhecimento e louvor da santidade de Deus e da sua misericórdia para com o homem pecador.

E chamado sacramento do perdãoporque, pela absolvição sacramental do sacerdote. Deus concede ao penitente «o perdão e a paz» (6).

E chamado sacramento da Reconciliação, porque dá ao pecador o amor de Deus que reconcilia: «Deixai-vos reconciliar com Deus» (2 Cor 5, 20). Aquele que vive do amor misericordioso de Deus está pronto para responder ao apelo do Senhor: «Vai primeiro reconciliar-te com teu irmão» (Mt 5, 24).”

Como fazer uma boa confissão?

Cada vez mais e mais pessoas têm buscado a cura da alma, fiéis têm também encurtado o tempo de uma confissão para outra, mas é preciso ficar atento, pois não basta confessar-se várias vezes, é preciso confessar-se bem. Mas como fazer isso?

Confessar-se é dizer a verdade, relatar algo que foi feito; confessar significa assumir tal ato. No caso da confissão sacramental, significa dizer os pecados, os erros cometidos contra os mandamentos de Deus.

Quatro passos necessários para uma boa confissão

Podemos dizer que são necessários quatro passos. No primeiro, a pessoa deve colocar-se em oração, pedir a Deus a graça de uma sincera contrição; no segundo, fazer um bom exame de consciência ao rezar, lembrar como foi a caminhada da última confissão até o presente; depois, buscar o sacerdote e confessar. Por fim, após a confissão, cumprir a penitência.

O primeiro passo é rezar, orar a Deus e pedir um coração arrependido do mal realizado, pois nem sempre este se arrepende; muitas vezes, a consciência está laxa, ou seja, até sabe que errou, mas não veio o arrependimento. A oração será esse pedido a Deus, para que se convença do mal e se arrependa.

Segundo passo: simultaneamente, importante fazer um bom exame de consciência, ou seja, fazer um balanço desde a última confissão sobre os males cometidos. Nesse momento, vale dizer que pecado confessado é pecado perdoado. Se um pecado foi confessado e não mais cometido, não se confessa novamente. Outra dica interessante: se você tem dificuldades, medo ou vergonha de se confessar, faça o seguinte: anote seus pecados. Isso ajudará muito você e o sacerdote.

O terceiro passo: buscar um sacerdote católico, um padre ligado à Igreja Católica Apostólica Romana, pois ele recebeu o múnus, o serviço de celebrar este sacramento pela autoridade do bispo que o ordenou e do bispo local. É em nome de Nosso Senhor Jesus Cristo e da Igreja que o padre perdoa os pecados.

Não se preocupe: “O que o padre vai pensar de mim?” ou “O padre é pecador como eu!”. O padre não vai ficar pensando nisso. Imagine! Se assim fosse, não iria conseguir viver só pensando nos males do ser humano. Ele recebe a graça de acolher, ouvir, dar uma direção. Pela imposição das mãos dos apóstolos, pela graça da sucessão apostólica, os sacerdotes são colaboradores dos bispos, dos primeiros apóstolos que deram este poder para os outros apóstolos até chegar aos de hoje. Por que confessamos? Porque acreditamos no perdão e na autoridade de perdoar pecados concedida por Jesus Cristo aos apóstolos (Jo 20,22-23). O padre é pecador, mas é um escolhido; e independentemente de sua santidade, quando ele ministra e perdoa os pecados, a pessoa está perdoada.

O quarto passo: depois de confessar, o padre dá alguma orientação. Pode ser que ele peça para o fiel rezar o ato de contrição; depois, dá a penitência. Sobre o ato de contrição, existem fórmulas longas, outras curtas e também pode ser rezado espontaneamente. O padre, normalmente, dá alguma penitência para que o fiel repare o mal; pode ser uma oração, um gesto para que se retome à santidade perdida pelo pecado. E se o padre não deu penitência? Acalme-se! A confissão é válida. Faça uma oração e tenha atitudes de um cristão, ou seja, retome a vivência dos mandamentos, viva a vida perguntando-se como Jesus faria se estivesse no seu lugar.

 

 

Quanto ao exame de consciência, indicamos o app Misericórdia, disponível para Android:

https://play.google.com/store/apps/details?id=com.phonegap.misericordia&hl=pt

O aplicativo ajuda bastante na preparação para a confissão, sendo possível marcar os pecados que devem ser confessados e salvar as datas em que você conseguiu obter a graça do sacramento da Reconciliação, permitindo haver uma noção de sua frequência no Sacramento.

Não banalize o sacramento da confissão

A confissão é uma bênção, por isso não a banalize, não a trate de qualquer forma. Examine a sua consciência, confesse-se e proponha-se a não mais pecar. Seja firme com você mesmo e tenha atenção às brechas que você deixa para o inimigo. Quando se deixa de rezar e vigiar, qualquer um se torna presa fácil.

Reze sua oração pessoal, vá à Missa, tenha devoções e reze o terço. Vigie. Esse ambiente é legal? Esse programa convém? Por fim, como foi dito acima, lembre-se de que não basta se confessar várias vezes, é preciso confessar-se e romper com o pecado. Com a graça de Deus, siga em frente e tenha a santidade como meta.

As confissões comunitárias são sempre válidas?

É provável que você já tenha ouvido falar – ou mesmo passado por essa experiência – de alguém que foi buscar a confissão em alguma paróquia e, para sua surpresa, não tenha encontrado a celebração ordinária do sacramento da penitência (com a confissão auricular e absolvição individual); senão, uma celebração comunitária com absolvição coletiva. O que dizer sobre isso?

A atual legislação canônica, mais precisamente o cânon 960 do Código de Direito Canônico, destaca expressamente que a confissão individual e íntegra e a absolvição constituem o único modo ordinário, com o qual o fiel, consciente de pecado grave, reconcilia-se com Deus e com a Igreja.

“Em casos de grave necessidade, pode-se recorrer à celebração comunitária da reconciliação, com confissão geral e absolvição geral” (CIC 1483). A Mãe Igreja, à semelhança do Seu Senhor, deseja que todos os homens se salvem. Por isso, guardando as necessárias disposições, procura facilitar ao máximo a recepção dos auxílios da graça aos seus filhos por meio dos sacramentos.

Com base nesse princípio e motivada historicamente, sobretudo pelas duas grandes guerras mundiais, a Igreja introduziu a disciplina que possibilita a administração do sacramento da penitência com a absolvição coletiva.

Casos em que é possível fazer confissão comunitária

A absolvição dada, ao mesmo tempo, a vários penitentes, sem a prévia confissão individual, constitui uma forma excepcional da administração do sacramento da penitência, que só pode ser empregada quando (cf. c. 961):

Perigo de morte

1) Haja iminente perigo de morte e não haja tempo para que o sacerdote ou os sacerdotes ouçam a confissão de cada um dos penitentes.

Não há número suficiente de confessores

2) Haja grave necessidade, isto é, quando, por causa do número de penitentes, não há número suficiente de confessores para ouvirem as confissões de cada um, dentro de um espaço de tempo razoável, de tal modo que os penitentes, sem culpa própria, seriam forçados a ficar muito tempo (mais de um mês) sem a graça sacramental ou sem a sagrada comunhão.

Permitida em situações objetivamente extraordinárias

O juízo para saber se, em determinado caso concreto, ocorre o que está prescrito no segundo item citado acima, não compete ao confessor, mas ao bispo diocesano, que só pode permitir a absolvição geral em situações objetivamente extraordinárias (cf. Motu Proprio Misericordia Dei, 4), previamente e por escrito. Não se considera, porém, necessidade suficiente quando não é possível ter os confessores necessários só pelo fato de grande concurso de penitentes, como pode acontecer numa grande festividade ou numa peregrinação (cfr. c. 961 §1, 2º).

A absolvição geral coletiva, nos casos excepcionais previstos, deve ser precedida de uma adequada catequese que explique aos fiéis as condições para a sua validade, deixando claro que aqueles que recebem a absolvição coletiva deverão – para que o sacramento seja válido –, confessar, em tempo devido, individualmente, todos os pecados graves que, naquele momento, não puderam confessar e que devem receber a absolvição individual antes de receberem uma nova absolvição geral.

Não é demais lembrar que todo aquele que, em razão do ofício, tem cura de almas (p. ex. o pároco) está obrigado a providenciar que sejam ouvidas as confissões dos fiéis que lhe estão confiados e que, de modo razoável, peçam para se confessar, a fim de que aos mesmos se ofereça a oportunidade de se confessarem individualmente em dias e horas que lhes sejam convenientes (cfr. c. 986 §1).

Fontes:

Catecismo da Igreja Católica

https://opusdei.org/pt-br/article/exame-de-consciencia-para-a-confissao-adultos/

Como posso me preparar para uma boa confissão?

Quando fazer confissão comunitária?

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Como podemos socorrer as almas do Purgatório através das…

Vaticano facilita obtenção de indulgência plenária do dia dos fiéis defuntos

Antes de qualquer coisa: O QUE SÃO AS INDULGÊNCIAS?

O Padre Paulo Ricardo, como sempre, explica maravilhosamente bem no vídeo a seguir, esclarecendo, inclusive, a diferença entre as indulgências parciais e as plenárias.

Sendo assim, para entendermos a disciplina das indulgências, precisamos compreender o que são o sacramento da Reconciliação, a Comunhão dos Santos e o Purgatório, como visto no vídeo. Os méritos de um membro da Igreja podem ser aproveitados por outros membros, já que somos UM SÓ CORPO.

Com o advento da pandemia de Covid-19, a Igreja, em exercício de misericórdia pastoral, levou em conta as atuais dificuldades que a humanidade enfrenta. Foi com isso em vista que a Santa Sé decidiu que, nos lugares onde as medidas adotadas para evitar o contágio por coronavírus dificultam a frequência aos cemitérios, amplie-se a todo o mês de novembro as indulgências plenárias para os fiéis defuntos por ocasião do Dia de Todos os Fiéis Defuntos, em 2 de novembro.

Por meio de um decreto assinado penitencieiro-mor, Cardeal Mauro Piacenza, com mandato do Papa Francisco, a Santa Sé estabelece que “a Indulgência Plenária para aqueles que visitam um cemitério e rezam pelos defuntos, ainda que apenas mentalmente, de norma estabelecida apenas de 1° a 8 de novembro, pode ser transferida para outros dias do mesmo mês até seu término. Tais dias, escolhidos livremente pelo fiel, também podem ser separados uns dos outros”.

Também se decreta que “a Indulgência Plenária de 2 de novembro, estabelecida por ocasião da Comemoração de Todos os Fiéis Defuntos para aqueles que visitam piedosamente uma igreja ou um oratório e ali rezam o ‘Pai-Nosso’ e o ‘Credo’, pode ser transferida não apenas para o domingo precedente ou seguinte ou para o dia da Solenidade de Todos os Santos, mas também para outro dia do mês de novembro, à livre escolha de cada fiel”.

Estabelece-se ainda que “idosos, os doentes e todos aqueles que por motivos graves não podem sair de casa, por exemplo, por causa das restrições impostas pela autoridade competente para o tempo de pandemia, a fim de evitar que um grande número de fiéis se aglomere nos lugares sagrados, poderão obter a Indulgência Plenária desde que, unindo-se espiritualmente a todos os outros fiéis, [estando] completamente distantes do pecado e com a intenção de cumprir o mais rápido possível as três condições habituais (confissão sacramental, Comunhão eucarística e oração segundo as intenções do Santo Padre), rezem orações piedosas pelos falecidos diante de uma imagem de Jesus ou da Bem-aventurada Virgem Maria”.

Essas orações podem ser, por exemplo, “Laudes e Vésperas do Ofício dos Defuntos, o Rosário Mariano, o Terço da Divina Misericórdia, outras orações pelos mortos queridos dos fiéis”.

Também é válido para lucrar a indulgência que “façam a leitura meditada de uma das passagens evangélicas propostas pela liturgia dos defuntos ou uma obra de misericórdia oferecendo a Deus as dores e dificuldades da própria vida”.

Por último, “convida-se fervorosamente todos os sacerdotes a celebrar três vezes a Santa Missa no dia da Comemoração de Todos os Fiéis Defuntos”.

Segundo especificado no Decreto, esta ampliação decretada pela Penitenciaria Apostólica se deve às “não poucas súplicas dos Santos Pastores, os quais pediram para este ano, devido à epidemia de Covid-19, comutar as obras piedosas a fim de alcançar as Indulgências Plenárias aplicadas às almas do Purgatório”.

Também aproveitamos para indicar outro vídeo do Padre Paulo Ricardo, em que o sacerdote expõe com mais detalhes a realidade do Purgatório e como ela está atrelada ao caminho da Santidade:

Adaptado de: https://www.acidigital.com/noticias/vaticano-facilita-obtencao-de-indulgencia-plenaria-no-dia-dos-fieis-defuntos-38516

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Aprenda a oração do Angelus

Angelus é uma oração da Igreja que honra a Encarnação do Salvador e, ao mesmo tempo, reconhece os méritos de fé e humildade da Virgem Maria: ela disse Sim a Deus quando o Anjo Gabriel (o próprio “Ângelus“, ou Anjo, que dá nome à oração) lhe anunciou que Deus a convidava para ser a Mãe de Jesus.

O Sim de Maria dá cumprimento ao anúncio dos profetas: “Uma Virgem conceberá e dará à luz o Salvador“ (Isaías 7, 14). É um dos momentos cruciais da História da Salvação, porque marca o início da Redenção com a Encarnação de Cristo, celebrada pela Igreja no dia 25 de março, nove meses antes do Natal.

Anunciação de Cortona (1430), de Fra Angelico

A composição da oração do Angelus é atribuída ao beato papa Urbano II (pontífice de 1088 a 1099). Já a tradição de rezá-la três vezes ao dia foi iniciada pelo rei Luis XI, da França, em 1472.

Reza-se o Angelus, tradicionalmente, às 6 horas, ao meio-dia e às 18 horas. Muitas localidades preservam o costume de tocar os sinos das igrejas para destacar a popularmente chamada “hora da Ave-Maria“.

Angelus (1859), de Jean-François Millet

A pintura de MIllet demonstra a piedosa devoção do povo camponês a essas horas sagradas, ofertadas em reconhecimento ao Sim de Nossa Senhora ao plano salvífico de Deus.

O Angelus é composto por três invocações, cada uma com a sua devida resposta, e as três juntas descrevem o mistério da Encarnação do Filho de Deus. As invocações são acompanhadas de uma jaculatória, uma breve oração e três Glórias.

COMO SE REZA O ANGELUS:

(Comumente, rezando sozinhos, não temos um guia, portanto nós mesmos devemos fazer todas as partes da oração, ainda que mentalmente.)

Guia: O Anjo do Senhor anunciou a Maria.
Todos: E Ela concebeu do Espírito Santo.

Ave, Maria, cheia de graça, o Senhor é convosco! Bendita sois vós entre as mulheres e bendito é o fruto do vosso ventre, Jesus.

Santa Maria, mãe de Deus, rogai por nós, pecadores, agora e na hora da nossa morte. Amém.

Guia: Eis aqui a escrava do Senhor.
Todos: Faça-se em mim segundo a vossa palavra.

Ave Maria…

Guia: E o Verbo se fez carne.
Todos: E habitou entre nós.

Ave Maria…

Guia: Rogai por nós, Santa Mãe de Deus!
Todos: Para que sejamos dignos das promessas de Cristo.

Guia: Oremos. Derramai, ó Deus, a Vossa graça em nossos corações, para que, conhecendo pela mensagem do anjo a encarnação do vosso Filho, cheguemos, por Sua Paixão e Cruz, à glória da Ressurreição. Por Cristo, nosso Senhor.
Todos: Amém.

Glória ao Pai, ao Filho e ao Espírito Santo. Como era no princípio, agora e sempre. Amém.

(Repete-se o Glória mais duas vezes)

Sendo assim, que tal configurar o alarme do seu celular para nutrir o hábito dessa tão bela devoção? Depois de algum tempo, você verá que não precisará mais dos alarmes para lembrar das horas da oração.

O ANGELUS EM LATIM:

Angelus Domini nuntiavit Mariæ,

Et concepit de Spiritu Sancto.

Ave Maria, gratia plena, Dominus tecum. Benedicta tu in mulieribus et benedictus fructus ventris tui, Iesus.

Sancta Maria, Mater Dei, ora pro nobis peccatoribus, nunc et in hora mortis nostræ. Amen.

Ecce Ancilla Domini.

Fiat mihi secundum Verbum tuum.

Ave Maria, gratia plena…

Et Verbum caro factum est.

Et habitávit in nobis.

Ave Maria, gratia plena…

Ora pro nobis, Sancta Dei Genetrix.

Ut digni efficiamur promissionibus Christi.

Oremus: Gratiam tuam quæsumus, Domine, mentibus nostris infunde; ut qui, angelo nuntiante, Christi Filii tui Incarnationem cognovimus, per passionem eius et crucem ad resurrectionis gloriam perducamur. Per eundem Christum Dominum nostrum. Amen.

Gloria Patri et Filio et Spiritui Sancto.

Sicut erat in principio et nunc et semper et in saecula saeculorum. Amen.

(Repete-se o Gloria Patri mais duas vezes)

Confira a beleza da oração do Angelus cantada em latim:

https://www.youtube.com/watch?v=gBQxmwiaF7M

Adaptado de: https://pt.aleteia.org/2015/09/16/a-oracao-do-angelus-sua-historia-seu-significado-e-como-reza-lo/

Formações

Quais são as etapas de um processo de Canonização?

A notícia da beatificação de Carlo Acutis foi recebida com enorme felicidade pelos fiéis católicos de todo o mundo. Em qualquer época, mas ainda mais especialmente nos dias de hoje, é impressionante que um jovem, ainda em sua adolescência, tenha adquirido tamanha intimidade com Deus, sendo testemunho vivo de uma existência pautada no caminho de Cristo quando todo o mundo arrasta para a direção oposta. Todavia, muitas pessoas têm dúvidas acerca de como se dá a declaração de que uma pessoa é santa. O que é necessário para tanto? Qual a diferença de um “Servo de Deus” para um “Beato”? Como a Igreja investiga a suposta santidade de alguém? A resposta é: através do processo de CANONIZAÇÃO. Vejamos, em seguida, como ele se dá.

QUAIS SÃO AS ETAPAS EM UM PROCESSO ORDINÁRIO DE CANONIZAÇÃO?

São quatro as etapas:

1. SERVO DE DEUS

O Bispo Diocesano e o Postulador da Causa pedem para iniciar o Processo de Canonização. Apresentam à Santa Sé um relatório sobre a vida e as virtudes da pessoa. A Santa Sé, por meio da Congregação para a Causa dos Santos examina o relatório e dita o Decreto declarando que nada impede iniciar a Causa (Decreto “Nihil obstat”). Este Decreto é a resposta oficial da Santa Sé às autoridades diocesanas que pediram para iniciar o Processo Canônico. Obtido o Decreto de “Nihil obstat”, o Bispo Diocesano dita o Decreto de Introdução da Causa, agora, do Servo de Deus.

2. VENERÁVEL

Esta parte do caminho compreende cinco etapas:

a) A primeira etapa é o Processo sobre a vida e as virtudes do Servo de Deus. Um Tribunal, designado pelo Bispo, recebe os testemunhos das pessoas que conheceram o Servo de Deus. Esse Tribunal diocesano não dá sentença alguma; está reservada à Congregação para a Causa do Santos.

b) A segunda etapa é o Processo dos escritos. Uma comissão de censores, designados também pelo Bispo, analisa a doutrina dos escritos do Servo de Deus.

c) A terceira etapa se inicia quando estão terminados os processos anteriores. O Relator da Causa, nomeado pela Congregação para a Causa dos Santos, elabora um documento denominado “Positio”. Neste documento, se incluem, também os testemunhos, os principais aspectos da vida, virtudes e escritos do Servo de Deus.

d) A quarta etapa é a Discussão da “Positio”. Este documento, uma vez impresso, é discutido por uma Comissão de Teólogos consultores nomeados pela Congregação para a Causa dos Santos. Depois, em sessão solene de Cardeais e Bispos, a Congregação para a Causa dos Santos, por sua vez, discute o parecer da Comissão de Teólogos.

e) A quinta parte é o Decreto do Santo Padre. Se a Congregação para a Causa dos Santos aprova a “Positio”, o Santo Padre proclama o Decreto de Heroicidade de Virtudes. O que era Servo de Deus passa a ser considerado Venerável.

3. BEATO OU BEM-AVENTURADO

a) Neste estágio, o primeiro passo é mostrar o “Venerável” à comunidade como modelo de vida e intercessor diante de Deus. Para que isto possa acontecer, o Postulador da Causa deve provar diante da Congregação para a Causa dos Santos: – A fama de santidade do Venerável. Por isso elabora uma lista com as graças e favores pedidos a Deus pelos fiéis por intermédio do Venerável. – A realização de um milagre atribuído à intercessão do Venerável. O processo de examinar este “presumido” milagre se realiza na Diocese onde aconteceu o caso e onde vivem as testemunhas. Geralmente o Postulador da Causa apresenta um caso relacionado com a medicina. O Processo de examinar o “presumido” milagre deve abarcar dois aspectos: a) a presença de um feito (a cura) que os cientistas (os médicos) deverão atestar como um feito que vai mais além da ciência e b) a intercessão do Venerável na realização do feito que apontaram as testemunhas do caso.

b) Durante a segunda etapa a Congregação para a Causa dos Santos examina o milagre apresentado. Dois médicos peritos, designados pela Congregação, examinam se as condições do caso merecem um estudo detalhado. Seu parecer é discutido pela Consulta Médica da Congregação da Causa dos Santos (cinco médicos peritos). O fato extraordinário apresentado pela Consulta Médica é discutido pelo Congresso de Teólogos da Congregação para a Causa dos Santos. Oito teólogos estudam o nexo entre o fato indicado pela Consulta Médica e a intercessão atribuída ao Servo de Deus. Todos os antecedentes e os juízos da Consulta Médica e do Congresso de Teólogos são estudados e comunicados por um Cardeal (Cardeal “Orador”) aos demais integrantes da Congregação, reunidos em sessão. Então, em sessão solene dos Cardeais e Bispos da Congregação para a Causa dos Santos dão seu veredicto final sobre o “milagre”. Se o veredicto é positivo o Prefeito da Congregação ordena a preparação do Decreto correspondente para ser submetido à aprovação do Santo Padre.

c) Na terceira etapa com os antecedentes anteriores, o Santo Padre aprova o Decreto de Beatificação.

d) Na quarta etapa o Santo Padre determina a data da cerimônia litúrgica.

e) Na quinta etapa é a Cerimônia de Beatificação.

No caso de Carlo, o milagre reconhecido pela Santa Sé que ensejou sua beatificação foi o operado em um menino brasileiro. Sim, um jovem compatriota nosso!

O menino Matheus, de Campo Grande, Mato Grosso do Sul, sofria de uma rara doença congênita chamada “pâncreas anular”. O distúrbio fazia com que praticamente todo alimento que ele ingerisse fosse expelido pelo corpo na forma de vômito. Aos quatro anos de idade, em uma bela demonstração da sinceridade de fé de uma criança, pediu espontaneamente, em frente a uma relíquia de Carlo trazida pelo seu pároco, que pudesse parar de vomitar, o que aconteceu! Matheus foi curado da grave enfermidade no pâncreas em outubro de 2013.. Seus laudos médicos foram encaminhados para o Vaticano para a postulação da causa do jovem italiano. Tendo a Comissão Médica do Estado Papal reconhecido o milagre em novembro de 2019, o Vaticano pôde em seguida declarar Acutis beato, na esteira do processo de canonização que aqui demonstramos.

Matheus quis fotos em frente ao altar na sala. (Foto: Danielle Valentim)

Matheus, hoje por volta de seus 10 anos de idade, é um rapaz saudável graças à cura que atribui à Misericórdia Divina pela intercessão do servo Carlo Acutis.

Matheus segurando um retrato de Carlo Acutis. (Foto: Danielle Valentim)

 

4. SANTO

a) Já nesta fase, a primeira etapa é a aprovação de um segundo milagre.

b) Durante a segunda etapa a Congregação para a Causa dos Santos examina este segundo milagre apresentado. Requer-se que este segundo caso milagroso tenha sucedido em uma data posterior à Beatificação. Para examiná-lo a Congregação segue os mesmos passos do primeiro milagre.

c) Na terceira etapa o Santo Padre, com os antecedentes anteriores, aprova o Decreto de Canonização.

d) A quarta etapa é o Consistório Ordinário Público, convocado pelo Santo Padre, no qual informa a todos os Cardeais da Igreja e logo determina a data da Canonização.

e) A última etapa é a Cerimônia da Canonização. No ano de 2005, o Vaticano estabeleceu novas normas para cerimônias de beatificação. Em outubro de 2005, a Congregação para a Causa dos Santos deu a conhecer quatro disposições novas para as cerimônias de beatificação entre as quais, destaca sua celebração na diocese que tenha promovido a causa do novo Beato. As disposições são fruto do estudo das razões teológicas e das exigências pastorais sobre os ritos de beatificação e canonização aprovadas pelo Papa emérito Bento XVI. A primeira norma indica que enquanto o Papa presidirá os ritos de canonização, que atribui ao beato o culto por parte de toda a Igreja; os de beatificação – considerados sempre um ato pontifício – serão celebrados por um representante do Santo Padre, normalmente pelo Prefeito da Congregação para a Causa dos Santos. A segunda disposição estabelece que o rito de beatificação se celebrará na Diocese que promoveu a Causa do novo beato ou em outra localidade considerada idônea. Em terceiro lugar, se indica que por solicitude dos Bispos ou dos “autores” da causa, considerando o parecer da Secretaria de Estado, o mesmo rito de beatificação poderá ter lugar em Roma. Finalmente, de acordo com a quarta disposição, o mesmo rito se desenvolverá numa Celebração Eucarística, a menos que algumas razões litúrgicas especiais sugiram que tenha lugar durante a celebração da Palavra e da Liturgia das Horas.

 

Rezemos para que mais milagres atribuídos à intercessão do Beato Carlo Acutis sejam confirmados para que possamos, tão logo, anunciá-lo como santo, exemplo de discípulo de Cristo na terra enquanto Igreja Militante e colaborador das graças que não se esquece de seus irmãos militantes e padecentes enquanto Igreja Triunfante.

 

Fontes:

Irmã Maria Elisabeth da Trindade, OCD

https://www.correiobraziliense.com.br/brasil/2020/10/4879805-familia-de-campo-grande-celebra-beatificacao-de-carlo-acutis.html

https://www.campograndenews.com.br/lado-b/comportamento-23-08-2011-08/milagre-de-ms-aprovado-no-vaticano-matheus-hoje-tem-9-anos-e-muita-saude

https://www.midiamax.com.br/cotidiano/2020/mae-revela-historia-de-fe-e-milagre-em-campo-grande-que-vai-tornar-padroeiro-da-internet-beato

https://www.midiamax.com.br/cotidiano/2020/padre-de-campo-grande-trouxe-reliquia-que-curou-crianca-e-ajudou-acutis-a-se-tornar-santo

Notícias

Campanha Auxílio do Bem

Em tempos de distanciamento social, muitas famílias acabaram perdendo suas fontes de rendas, ficando condições de se sustentarem.

Assim, nosso EJC criou o AUXÍLIO DO BEM e nos solidarizamos para ajudar essas famílias com a doação de cestas básicas e produtos de higiene.

Contamos com sua colaboração, qualquer quantia em dinheiro para as contas apresentadas será de eterna gratidão para muitas famílias. Para maiores informações entrar em contato com os telefones disponíveis abaixo.

“Não nos cansemos de fazer o bem, porque a seu tempo colheremos, se não relaxarmos.” Gálatas 6, 9.
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Abertas inscrições para encontreiros servirem no XXV EJC Auxiliadora

“Aquele que me serve, meu Pai o honrará” (Jo 12, 26)

ATENÇÃO, Encontreiros!

Estão abertas as inscrições da lista de espera para SERVIR no XXV EJC AUXILIADORA, e se você deseja participar, fique atento às informações abaixo:

✅ Por gentileza, submeta apenas 01 (uma) inscrição!

✅ Tais inscrições são referentes à lista de espera para trabalhar no XXV Ejc Auxiliadora, que serão preenchidas conforme necessidade do Encontro – o que não garante a efetiva participação no mesmo.

✅ Inscrições submetidas por outros meios além deste não serão aceitas.

✅ É de fundamental importância que o Encontreiro deva ter servido, no mínimo, 01 (uma) vez em sua paróquia de origem.

Venha participar conosco.

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Notícias

II Lual das Pastorais ocorrerá no dia 27 de…

No próximo dia 27/01, as Pastorais do Ejc Auxiliadora organizarão o II Luau das Pastorais. Estaremos juntos nesse momento de amor, unidade e, claro, descontração.

Durante o luau, partilharemos sobre a palavra de Deus e faremos um lindo momento de louvor à beira-mar, contemplando a perfeição do amor de Deus.

Participe conosco! Ah, o pré-requisito pra participar desse encontro é ser membro de uma das pastorais do Ejc Auxiliadora. Portanto, basta falar com algum dos coordenadores para participar.

 

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